Quarta-feira, 9 de Julho, 2008
Eu já desconfiava que esta história das passagens automáticas (os alunos passarem sempre até á 7ª, quer soubessem quer não) tivesse a ver com estatísticas que o governo quisesse apresentar, mas não sabia bem que estatísticas eram estas.
Agora finalmente fiquei esclarecida, Moçambique recebeu fundos (ou, mais fundos) da ONU, ou do Banco Mundial (não me souberam explicar bem de onde vieram os fundos, mas percebi que não era de uma simples ONGD) para aplicar na educação até 2015 e, como contrapartida a estes fundos, terá que apresentar até 2015 uma x percentagem de alunos que concluíram o ensino básico, que aqui se considera até à 7ª.
Os objectivos de facto eram bons, damos os fundos, mas em troca exigimos que se amplie a rede escolar, que se melhorem as condições de acesso á escola e que se melhore a qualidade do ensino de modo que em 2015 já se tenha conseguido x % da população com o ensino básico.
Tudo muito bonito quando escrito no papel, mas na prática o governo moçambicano foi bem mais inteligente, porque muito mais fácil do que uma melhoria efectiva da rede escolar, é ter passagem automática até à 7ª. Pouco interessa se os alunos da 7ª sabem ler ou não, porque na estatística eles sabem, e assim consegue-se as metas.
Pena que as pessoas não são apenas estatísticas, e que os números às vezes também mentem!
Observadores internacionais precisam-se para darem caras aos números (eu posso ajudar com algumas se quiserem)!
Até outro dia!
1 comentário:
Parece-me que andas com poucas notícias boas para dar, por isso aqui fica uma: durante este mês de agosto vais ter 17 jsf a trabalhar mais perto de ti... vai rezando também por eles e pelo sucesso da Ponte 2008!
Beijinhos com muitas saudades :-)
Enviar um comentário