segunda-feira, 30 de junho de 2008

Hospedeira de Parasitas

Sexta-feira, 13 de Junho, 2008

Estes últimos dias não foram passados lá muito bem, comecei cheia de dores de barriga e depois comecei a ficar com um pouco de febre (não me lembro da última vez que tinha tido febre) e a sentir-me enjoada e sem grande apetite. Ainda pensei que fosse malária, já que ainda não fui baptizada com esta fantástica doença, mas afinal, segundo o que o médico me disse, eram parasitas!!

Amibas, ou amebas, ou que raio eles se chamam, que andavam a divertir-se na minha barriga e que causaram uma inflamação nos intestinos que me estava a dar febre. Portanto uma dose de cavalo de uns comprimidos que me deixaram completamente de rastos, e um antibiótico e pronto, já estou pronta para a próxima!


Até outro dia!


quinta-feira, 26 de junho de 2008

A Semana da Morte das Escolas


Sexta-feira, 13 de Junho, 2008

Ontem e hoje tive encontros nas regiões (ontem em Djipwi e hoje em Chihire) de comunicação social [não sei se já alguma vez expliquei, se já passem à frente o parênteses. Então existe uma revista cristã, chamada Vida Nova, que tem tiragem a nível nacional e que tem secções sobre noticias internacionais, noticias do país, espaços de opinião e é usada um pouco como uma revista de informação mas politicamente imparcial. Existe ainda um boletim da diocese, com as noticias locais. O objectivo deste ministério é uma vez por mês fazer encontros com uma pessoa por comunidade para lhes explicar as várias notícias, para que depois eles as possam passar à comunidade antes da celebração. Assim é uma forma de tentar dar alguma informação à população que não sabe ler, nem tão pouco o português], e resolvi aproveitar a viagem para na parte da tarde fazer algumas visitas a escolas onde ainda não tinha conseguido visitar.


Assim, quinta-feira fui até comunidade de S. Matias, que era a única escola que tinha 3 professores e tinha alunos da 1ª à 3ª classe, e inclusive, um dos seus professores era o responsável da região por todas as escolas comunitárias.


Cheguei à comunidade, por um caminho completamente de cabras, onde o carro para passar tem que destruir um ou outro pé de mandioca, lá fui até á escola, e nada de alunos ou de professores, procurei por onde estavam os professores ao que me responderam que eles estariam em casa!! Ninguém falava português por isso o dialogo não estava a ser lá muito fluente, e lá consegui descobrir uns alunos e pedi se podiam ir buscar os cadernos deles a casa. Os cadernos deles tinham nada mais, nada menos do que aulas apenas em Fevereiro (que foi o primeiro mês de aulas, e aparentemente para eles também o último).


Isto ainda é mais grave quando se sabe que estes professores até têm ido às formações que são dadas na região uma vez por mês, e disseram sempre que estava tudo bem, e que as aulas corriam muito bem….


Já hoje, depois da formação em Chihire, passei na comunidade de Namaca, que fica bastante perto de Itoculo, onde também existe uma escola. Chegando lá não vi ninguém, mas como ainda era cedo resolvi esperar um pouco para ver se alguém aparecia. Como ninguém aparecia, resolvi perguntar numa casa lá ao lado, a resposta foi que o professor não estava a dar aulas, e que todos os alunos estavam a ir estudar à escola de Itoculo. Este ainda é mais grave porque o professor tinha ido na semana antes a Itoculo para me dar a estatística do número de alunos e aproveitamento dos mesmos!


Isto é mesmo para uma pessoa perder por completo a confiança…

Enfim, duas escolas mortas este ano, vamos ver se não tenho que matar muitas mais!


Até outro dia!



sexta-feira, 20 de junho de 2008

Dia Mundial da Criança

Domingo, 1 de Junho, 2008



"Ora viva, viva, o dia 1 de Junho
Ora viva, viva, é o dia da Criança"




É verdade hoje é dia da criança, e se em Portugal até seria possível este dia passar um pouco despercebido para os mais distraídos e para os que não têm crianças, por aqui tal é impossível, pois tudo pára para festejar!





Vestem-se as melhores roupas, traçam-se as melhores capulanas, compra-se galinhas e refrescos, tudo está em reboliço e ansioso para que a festa comece, afinal, já estão preparar-se para este grande dia há várias semanas.




Fui convidada a participar na festa da escola, e enquanto lá estava sentada á espera que as pessoas fossem chegando, ia-me vindo á cabeça uma parte de uma música de Zeca Afonso, que alterando um pouco, se apropriava ao momento.




"Eram mulheres e crianças, cada um com a sua trouxa,
Isto aqui era uma orquestra, quem diz o contrário é tolo
De muito longe vieram, alguns por seu próprio pé,
Uns chegaram de bicicleta, e não vi nenhum de marcha a ré"




(Quanto ao resto da música, embora facilmente se conseguisse aplicar aqui, sairia do contexto do dia de festa, e não é esse o meu objectivo de momento.)




De facto, mamãs, papás, crianças, jovens, aos poucos todos se iam juntando debaixo da mangueira, cada um equilibrava na cabeça farinha, galinhas e mandioca, que nada pode faltar para tão festeiro almoço. Alguns vinham de longe, do interior, para vir passar este dia com os filhos que estudam aqui em Itoculo. De longe ou de perto, todos sorriam, todos estavam felizes, todos se afinavam enquanto ajudavam as crianças nos cantos e danças que estas prepararam.




Embora por um lado meta confusão o tanto que se consegue arranjar do tão pouco para um dia de festa, quando para outras necessidades nada se consegue arranjar, por outro lado, foi de facto um dia bonito, em que as crianças foram o centro de tudo e em que por momentos se esqueceu a seca, a fome que se adivinha, o feijão que não cresceu, simplesmente se dançou e cantou…








Até outro dia!









quarta-feira, 18 de junho de 2008

Visitas a Escolas Comunitárias


Quinta-feira, 30 de Maio, 2008


Lembro-me vagamente, de quando comecei a viajar pelas fantásticas auto-estradas de Itoculo (em que embondeiros e cajueiros fazem de tabuletas, o capim delimita as faixas de rodagem, e o piso é do melhor tipo que se pode encontrar, intercalando areia com lama, buraquinhos e crateras) ter pensado que nunca na vida havia de me conseguir orientar nestas estradas, nem tão pouco seria capaz de conduzir no meio de tanto buraco.

Pois bem, afinal é possível!!! Não só consigo conduzir no meio de tanto buraco (aliás, para conduzir em buracos até tenho muito jeito… consigo acertar em todos, mesmo naqueles que parecia impossível!!!), como ainda consigo encontrar o caminhos para regressar a casa!!!

Assim, resolvi ontem ir fazer visitas a escolas comunitárias, a irmã Adelaide foi comigo mas, embora ela já cá esteja á uns 3 anos, como não conduz, não sabe muitos mais caminhos do que eu.

Sabia mais ou menos onde queria ir, eram 5 escolas, uma delas completamente na ponta, nos limites da paróquia de Itoculo, sabia mais ou menos a direcção, e lá fomos, parando para perguntar indicações e não errar o caminho e assim fizemos cerca de 200 km (só para reforçar, já que o Miguel quando cá veio foi uma das coisas que lhe custou acreditar, estes 200 Km foram todos em terra batida, e nem sequer andei perto de nenhuma estrada de alcatrão).

Foi uma experiência deveras interessante, normalmente quando vou assim até às comunidades é aos domingos, e vou sempre com os padres, que já sabem o caminho e não precisam de andar a parar para perguntar, e quando se chega às próprias comunidades estamos com "o senhor padre" e o tratamento é sempre feito com um pouco mais de formalismo.

Assim, viajando sem conhecer tão bem é bem divertido ir parando e conversando com as pessoas no caminho. Algumas aproveitam para contar histórias das terras que nós procuramos, o porquê dos nomes e afins, com outras é hilariante a tentativa de nos entendermos mutuamente entre o português e o macua, existem ainda aquelas que, nada preocupadas em serem entendidas, falam e falam tudo em macua, e mesmo com a minha cara de quem não percebeu nada, continuam a falar e a falar, e quando nos despedimos para seguir caminho fazem um sorriso, como se de facto aquela " conversa" tivesse sido muito boa, depois existem também os que se oferecem para entrar nas traseiras do carro e nos ir indicando o caminho (afinal não é todos os dias que existe a possibilidade de se dar uma voltinha de carro).

Os caminhos em si, também têm zonas lindíssimas, pequenos bosques encantados, onde o homem ainda não ganhou á natureza e esta se mostra com todo o seu esplendor.

Agora em relação ao objectivo desta viagem, que era a visita a escolas, houve boas e más surpresas. As más foram duas das escolas não estarem a funcionar, tentem lá adivinhar porquê…ora bem, eu resolvi fazer as visitas no dia 30 de Maio, é bastante óbvio que não houvesse aulas porque as crianças precisavam de ser dispensadas para preparar o 1 de Junho!!! Como é que eu não me lembrei disso quando programei a visita!! A boa foi ter gostado bastante de ver o trabalho numa das escolas, feito por um professor que até é bastante mauzinho em termos daquilo que sabe, tem inclusive muita dificuldade em ele próprio ler, mas colmata por completo esta falta com a disponibilidade e vontade de ensinar. A verdade é que na 2ª classe a maioria dos alunos dele já conseguem escrever qualquer coisa e tendo como comparação a preparação dada na escola oficial, acho que aqueles miúdos sabem mais que os da oficial.

Foi assim a minha sexta-feira, cansativa, mas soube mesmo muito bem!

Até outro dia!




segunda-feira, 16 de junho de 2008

Uma Pequena Conquista Escolar

Quarta-feira, 28 de Maio, 2008

Quando comecei a dar aulas de música fiquei toda feliz quando apresentei aos alunos da 7ª classe uma pauta com a escala de dó e todos sabiam dizer quais as notas que estavam na pauta, pensei eu: "Que bom, já sabem identificar as notas musicais!", pensamento errado!!

Após o primeiro exercício que fiz de identificação de notas musicais percebi que afinal eles não entendiam assim tão bem as notas musicais quanto eu tinha pensado a princípio. Para eles, a primeira nota que aparecia, independentemente da linha ou espaço onde estava, é sempre um dó, a segunda nota será então sempre o Ré, a terceira o mi, e por aí fora.

Então quando fiz o exercício com várias notas com uma ordem que não a da escala, a resposta foi invariavelmente dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó, (com excepção de uma meia dúzia de alunos que se destacam bastante dos outros).

Não foi fácil fazer com que eles entendessem que o nome da nota não tinha nada a ver em ser a primeira ou segunda nota a ser apresentada, mas sim com a linha ou espaço em que é colocada na pauta, mas, finalmente quase todos já conseguem identificar as notas musicais. Claro que não são todos, mas se tivermos em conta que alguns não sabem ler, nem escrever, é normal que nem todos consigam, mas de facto a grande maioria já consegue!!

E pronto, foi a minha grande conquista do dia!!!

Até outro dia!



sexta-feira, 13 de junho de 2008

Domingo Diferente


Segunda-feira, 26 de Maio, 2008


Ontem, aproveitando que os Padres andam a passear pelo Chimoio (bom, não é bem passear, foram a uma reunião), e que as irmãs iriam ficar todas por casa, fui até à Carapira (Missão vizinha de Itoculo), passar o dia em casa dos Leigos que lá estão, penso que já tinha falado deles, dois brasileiros e uma portuguesa.

A portuguesa, Sandra, também esteve em Praga a fazer erasmus, ficou na mesma residência que eu, e foi no mesmo ano, mas enquanto eu estive lá no primeiro semestre, ela foi no segundo semestre, mas conhecemos pessoas em comum, porque houve várias pessoas que estiveram comigo durante o primeiro semestre que ficaram durante o ano, e foi aliás através de um deles que calhou descobrir esta coincidência. De facto o mundo é do tamanho de uma ervilha!!

Bom, mas à parte desta coincidência resolvemos ir até Nacala, à famosa praia de Fernão Veloso (aposto que todos vocês já estão fartos de ouvir falar desta praia, mas acreditem em mim, que a praia até é bastante conhecida). Lá encontramos ainda uma enfermeira italiana que está a trabalhar como voluntária em Nampula, e leigos espanhóis que estão a trabalhar em Nacuxa, numa escola agrária.

Foi um dia agradável, é sempre bom quando nos encontramos com gente cujas motivações e formas de estar na vida têm muito em comum connosco, e então quando são pessoas de diferentes nacionalidades e culturas, é muito engraçado encontrar estes pontos de convergência.

Entretanto, de volta à Carapira, e perdendo-me no meio de conversas e risos, acabei por também perder a hora, e fiquei a dormir por lá, já à noite eu e a Sandra resolvemos começar a lembrarmo-nos dos tempos de Praga, de modo que não nos calamos embrenhadas no meio de recordações!


Até outro dia!


quarta-feira, 11 de junho de 2008

Presente

Sábado, 24 de Maio, 2008


Hoje tive um presente lindíssimo!

Esta semana, foi a primeira semana que fiz sozinha os encontros de jovens nas várias regiões. Na quinta tive encontro em Djipwi com 70 jovens, ontem em Chihire, com apenas 12 jovens e hoje tive encontro no Congo, com não muitos mais que ontem.


Todos os encontros correram bastante bem, embora de facto jovens nunca tenha sido o meu forte, penso que estou a moldar um pouco a falta de paciência que tinha para lidar com estas idades, e estou a ter até bastante gosto em trabalhar com estes jovens.


Hoje, na região do Congo, os jovens prendaram-me com uma mensagem de boas vindas, toda pomposa, bem ao estilo moçambicano, com um emblema (um desenho que fizeram), e parte mais bonita foi que enquanto liam a mensagem iam cantando músicas que fizeram de propósito para a ocasião a dar as boas vindas à "irmã" Joana e a agradecer por ir trabalhar com os jovens. As músicas estavam mesmo bonitas, ensaiadas e tudo, cantadas a várias vozes!


De facto, são estas pequeninas coisas que fazem os dias valer bem a pena!



Até outro dia!




segunda-feira, 9 de junho de 2008

Vai ser Ano de Fome


Parece que os mercados do Ocidente se agitam face à crise alimentar que se adivinha, dizem os entendidos que será a maior crise alimentar dos últimos 30 anos, espera-se fome, espera-se que os países da África subsariana sejam aqueles que vão sofrer mais…


Enfim, todos esses avisos seriam suficientes para assusta, e de facto nos mercados os preços dos bens alimentares sobem de forma alarmante, uma saca de arroz, por exemplo, subiu numa semana de 400 meticais para 500 meticais. A única excepção foi o pão, que estranhamente desceu de preço a semana passada.


Agora a tudo isto juntarmos o facto de nesta zona a chuva ter acabado bem mais cedo que o normal, o que levou a que o milho tenha secado todo, só quem plantou no inicio das chuvas tem alguma coisa de jeito, feijão ninguém tem, algodão quase não deu nada, gergelim (que o ano passado foi uma grande fonte de rendimento) não deu nada e mesmo a mandioca não está para produzir muito.


Tendo em conta que a base da alimentação aqui é a farinha de milho e o feijão, e que a venda destes mais o algodão e gergelim são as únicas fontes de rendimento, porque empregos são praticamente nulos os que existem, já se está a ver no que isto vai dar!


Espera-se um ano de fome…

Assusta esta previsão, assusta a impotência face á situação… E o que é mais impressionante é a falta de capacidade que este povo tem de se precaver, de tomar atitudes a pensar no futuro. Estamos agora em época de venda de milho, fartamo-nos de dizer às pessoas para armazenarem algum milho porque os preços vão disparar e depois não vão ter meios de o comprar, e todos nos dizem "não temos onde o guardar", "precisamos de dinheiro agora", então vendem praticamente todo o que têm por qualquer coisa como 3 meticais o quilo, sendo que a previsão do preço do quilo na altura me que vão precisar de comprar para sementeira, será no mínimo 25 meticais por quilo!


Vivem o dia-a-dia, não pensam no amanha, têm medo de não aproveitar no momento e morrer sem usufruir do que têm, e a ideia de herança, a ideia de que o que tiver fica para os meus filhos de todo não existe!


Bom, vamos a ver o que o futuro nos reserva, as irmãs têm um projecto de apoio a crianças subnutridas que já tem financiamento, falta só a aprovação da congregação para se andar com ele para a frente, vamos ver se ainda chega a tempo de fazer face á crise que se adivinha.





Até outro dia!

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Reunião de Professores

Terça-feira, 20 de Maio de 2008


Hoje tive uma reunião na escola, eu bem que tenho conseguido escapar a mais de metade das reuniões que eles fazem, mas desta vez lá me pesou a consciência e resolvi ir à reunião.


A reunião foi marcada para as 15h30, hora esta em que os professores ainda estão a dar aulas ao turno da tarde, mas o que é que isso importa? Manda-se os alunos mais cedo para casa, que não é nada a que eles não estejam habituados!


A reunião durou qualquer coisa como 5 horas, que espremido se resume a pouco ou quase nada, foi basicamente falar da vida de cada um, e pouco mais, mas enfim, esta é uma parte totalmente cultural, a frase "tempo é dinheiro" não faria qualquer sentido nesta cultura, e de facto ninguém olha ao relógio, quando é para se estar sentado numa quase nulidade de produção.


Bom, mas após quase 4h30 de reunião, quando parecia que já tudo estava terminado e que nos poderíamos retirar, o director diz que afinal ainda ficou um assunto por tratar e que é muito importante, tendo mesmo que ser tratado nesta reunião. Ainda me intriguei. "que assunto é este, que não pode esperar?"


Então, o assunto de extrema importância e que não podia esperar era começar a organizar aquilo que se vai fazer no dia do professor, porque já não existe muito tempo para se preparar, nisto todos concordam que já está quase e que temos de preparar.


Resolvi nesta altura perguntar em que dia seria então o dia de professor, então o dia do professor é "já" no dia 12 de OUTUBRO, faltam portanto mais de 4 meses. Tenho sérias dúvidas que tenha conseguido disfarçar como deve ser a minha expressão de estupefacção, por estar quase às minhas horas de dormir numa reunião a discutir um assunto de tamanha importância.


Falaram de muita coisa, houve alguma discussão sobre o que se ia ou não fazer e ficou decidido que para comemorar se iria fazer uma saída à ilha de Moçambique. Cozinha-se no dia de manha cá em Itoculo e depois leva-se para lá, onde jantaremos e conviveremos.


Passou-se de seguida para a discussão de qual deveria ser a contribuição de cada um, começou por sair o valor de 300 meticais, depois passou para 400 meticais porque o custo de vida sabe-se que vai aumentar, por fim já falavam em 500 meticais (qualquer coisa como 15 euros), eu pedi a palavra, para dizer que da mesma forma que o custo de vida iria aumentar para o jantar, também iria aumentar para o resto, pelo que talvez não fosse bom gastar assim tanto só num jantar, ao que eles olharam para mim, e continuaram a discutir como se eu não tivesse aberto a boca.


No fim sempre ficaram os 500 meticais, agora importa ter em conta que o salário de um professor não chega sequer a 70 euros, e que para se gastar 15 euros num jantar aqui é preciso comer como se não houvesse amanha, e ainda assim, possivelmente sobra, e que quase todos estes professores têm mais do que um filho para alimentar, e costumam ter algumas dificuldades nessa tarefa.



Até outro dia!



terça-feira, 3 de junho de 2008

A Capacidade de Armazenamento do Estômago


Eu não sei se já alguma vez comentei isto no blog, mas se por acaso já o fiz, não é demais repetir, porque de facto não me deixa de espantar a quantidade de comida que este povo consegue enfiar no estômago, a uma velocidade doida!

Uma pessoa menos atenta até pode pensar que é uma questão de fome, e quando vêem comida comem desalmadamente, mas não, mesmo aqueles que não têm qualquer dificuldade em se alimentar come como se não houvesse amanha, quantidades tais, que eu penso que se juntar todas as refeições que como durante o dia não chega a tanto.

A verdade é que quem trabalha na área da saúde diz que eles têm uns estômagos dilatadíssimos, de facto só pode, porque se não aquilo seria humanamente impossível!


Até outro dia!


domingo, 1 de junho de 2008

Pequeno Desabafo


Hoje descobri que qualquer pessoa que tenha dinheiro no banco, e a sua conta desça abaixo dos 1500 meticais (cerca de 40 euros) é lhe retirado 300 meticais. Isto é para todas as pessoas, seja qual for a conta. Ora, 1500 meticais para aqui é uma autêntica fortuna é metade de um salário de um professor, e ainda por cima os professores são obrigados a ter conta, porque os salário têm que ser pagos por transferência.


É assim, é a politica do pobre cada vez mais pobre no seu melhor!!!


Até outro dia!