quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

"Educar é plantar, para depois colher"

Segunda-feira, 28 de Janeiro

Salama!

Estou neste momento a presenciar o fim de uma tempestade, com nome digno disso mesmo, foi com cada trovão, que as luzes do meu quarto resolveram dar o berro, de modo que penso que nos próximos tempos irei regressar aos belos dos candeeiros a petróleo! (mas aqui há pára-raios, por isso não te preocupem que estou bem a salvo)

Passou-se mais um fim-de-semana, mais um Domingo de visitas a comunidades, mais uma viagem de duas horas para cada lado, com buracos, que com a chuva tendem a ser cada vez maiores e, pela primeira vez desde que cá cheguei, o carro atolou!

Íamos muito bem pelo caminho normal e deparamo-nos com um camião de transporte de pau-preto completamente atolado no meio da estrada, sem qualquer hipótese de nós passarmos. Então, fizemos marcha atrás, e metemo-nos por um caminho onde já ninguém passava há mais de um ano. Obvio que, em tempo de chuvas, um caminho que nunca é atravessado, não havia de correr muito bem e, a meio do caminho, lá atolamos!

Já me estava a imaginar, no meio da lama a empurrar o carro, mas eis se não quando….do meio do mato começam a aparecer 500 mil jovens (pronto, não eram 500 mil, mas eram à vontade uns 30), e começam a pôr paus de baixo das rodas e a ajudar a empurrar, claro que no fim pediram dinheiro, mas o Padre Damasceno lá começou com uma grande conversa de que quando nós levávamos doentes também não pedíamos dinheiro, e que se deve ajudar os outros gratuitamente, e blablabla, e a verdade é que não retorquiram muito, lá voltaram a entrar para o meio do mato e nós, muito agradecidos, seguimos viagem.

De resto a celebração não foi muito diferente das outras, voltei a comer a bela da chima com frango, mas esta estava muito má, bastante azeda, não correu muito bem!

Tenho é que me lembrar de levar a maquina um destes dias, para poder retratar um pouco melhor estas aventuras, mas esqueço-me sempre de pôr a maquina a jeito (ainda bem que a comprei de propósito para a trazer)!

Entretanto hoje foi a abertura oficial do ano lectivo, aqui na escola… bem, nem imaginam, por momentos tive dúvidas se me tinha enganado no sítio, e se tinha ido parar a um comício da Frelimo, em vez da abertura do ano escolar.

Aquilo estava marcado para as 8 da manha, pelo que, dado o meu já avançado grau de aculturação, achei por bem aparecer só às 9h, foi o melhor que fiz, porque assim só tive de esperar 20 minutos pelo início.

A primeira coisa que se fez foi ir plantar papaieiras, pois o lema deste ano lectivo, a nível nacional, é "educar é plantar, para depois colher". Isto até poderia ter sido muito bonito, se não fosse o facto de estar um calor descomunal, e de terem obrigado as crianças todas a ficar cerca de 45 minutos à torreira do sol, pois a sombra das árvores era só para os professores e para os senhores engravatados que vieram da assembleia da república!

Finda a plantação, o chefe de posto grita "Viva Itoculo" e todos respondem "Heia", e depois "Viva a Frelimo" e mais uma vez todos "Heia", e isto aconteceu em todas as vezes que alguém começou ou acabou um discurso! Achei fantástico, realmente…

Bem, mas depois da torreira do sol, lá fomos nos sentar debaixo de uma mangueira, para duas horas de discursos, sem o mínimo interesse, com as crianças todas em desespero, e a quererem ir brincar, mas sempre que faziam um pouco mais de barulho, lá iam os professores mandar calar, porque o director da escola, ou o chefe de posto, ou o senhor da assembleia estavam a falar de coisas muito importantes…

Bom, foi do piorio mesmo, e ao que parece isto é normal, pelo que ainda vou assistir muito a estes discursos pró-frelimo e presidente Guebusa!!

Bom, amanhã começam as aulas pelo que estou bastante entusiasmada, desde que não me venham com mais campanhas eleitorais para cima, penso que as coisas irão correr bem.

A chuva não passa (embora a trovoada não tenha voltado), de modo que vou vestir o meu impermeável, para ir até casa das irmãs lanchar (é sempre bom ir lá lanchar, que têm montes de fruta colhida no quintal delas, sumos naturais, compotas do melhor…vale a pena!)

Até outro dia!

Curso de Professores


Sábado, 26 de Janeiro

Muitos bons dias a todos,

Começo este post, a descansar aqueles que estão um pouco preocupados com o meu estado mental, dado ao tamanho das minhas descrições! Bom, não se preocupem, que isto é só agora que ainda estamos no inicio, que ainda é tudo novidade, e que ainda vou tendo algum tempo livre, isto depois muda, por isso descansem que o calor ainda não me queimou a mioleira!!

Aproveito também, para deixar um pedido oficial de desculpas a aqueles que não receberam o endereço no blog na altura devida, mas, como sempre, deixa-se tudo para a última da hora e só consegui enviar mail para os da minha lista de contactos do hotmail, para os que estão na lista de contactos do gmail já não fui a tempo, sob pena de chegar atrasada ao aeroporto!

Mas continuando a contar a minha vida por cá….

Esta semana, na segunda-feira tive a minha primeira reunião na escola, o director da escola tinha-me pedido para aparecer lá pelas 9h da manha, e assim eu fiz… Não vi o director, mas vi uns senhores sentados nuns bancos debaixo de uma árvore, que me pareceram com cara de professores, e de facto eram! Lá me fui apresentar, convidaram-me para sentar, e assim ficamos até às 11h15, hora em que começou a reunião!!! Ou seja os professores ficaram durante 2h15 sentados, impávidos e serenos a falar de trivialidades do dia-a-dia, como se não houvesse qualquer atraso na hora marcada!

Quando cheguei a casa, e disse o tempo que tinha esperado, disseram-me que tive sorte, porque era normal ficar lá a manhã toda, e depois dizerem para afinal vir no dia seguinte, e coisas assim, enfim… O importante é ir fazendo tudo com calma, que aqui não existem pressas para nada, e os horários e ainda não entraram no esquema deles do quotidiano!

O resto da semana estive a ajudar a irmã Felicite, com um curso de professores das escolas comunitárias, aqui, como as escolas oficiais não chegam para toda a população (nem pouco mais ou menos), existem diversas escolas comunitárias, coordenadas por professores voluntários (embora os pais dos alunos se encarreguem de ajudar com o que podem o professor), e que têm equivalência ao ensino oficial.

Estes professores não têm, no geral, qualquer tipo de formação específica, aliás muitos mal sabem ler e escrever, no entanto, entre as crianças não aprenderem nada e aprenderem o pouco que eles sabem, ao menos que aprendam este pouco!

Estive a dar formação aos professores da 3ª classe, que são só dois, pois a grande maioria só dá 1ª e 2ª, ambos tinham até algum jeito para ensinar, um deles então, se tivesse tido oportunidade de estudar tinha dado sem sombra de dúvida um excelente professor, o problema é que de facto, não têm muita formação, os livros escolares são muito mauzitos, feitos em Maputo, para crianças da cidade e completamente desenquadrados deste meio (só para verem um exemplo, num livro aparece uma imagem de uma casa de banho, como nós a concebemos, e depois pede para se dizer o que se está a ver, ora bem… eles nunca viram uma casa de banho, aqui um latrina já é bastante avançado, é obvio que quer alunos, quer professores, ficam a olhar para o desenho, sem saber o que raio dizer… e este é só um exemplo, o livro esta todo assim), mas enfim, como são de distribuição gratuita não nos podemos queixar muito!

Mesmo assim, dentro do mau as escolas comunitárias até estão muito melhores agora, pelo que contam há poucos anos, ensinar fora das escolas oficiais era determinantemente proibido e punível com prisão. Assim, estas escolas comunitárias para funcionar, funcionavam como grupos de catequese, utilizavam uma bíblia para as crianças, que estava feita de forma a permitir ensinar a ler e a escrever. Assim, sempre que havia problemas diziam que apenas estavam a ensinar as crianças a ler a bíblia, porque isso era necessário para se ser cristão, e desta forma, as escolas comunitárias foram se mantendo.

Depois disto lá passaram a ser autorizadas, e desde há dois anos que são dadas com equivalentes ao ensino oficial, na minha opinião penso que esta história de dar equivalência, é mais por uma questão de percentagens de quem tem a escolaridade ou não, porque faria muito mais sentido criar mais escolas oficiais, e formação a quadros, ou então dar apoios mais específicos nas escolas comunitárias, nomeadamente na área da formação.

Bom, mas voltando à formação dos professores, passei dois dias mais a ensinar português e matemática ao nível da 3ª classe do que propriamente a dar pedagogia (que era mais o objectivo principal), mas gostei bastante, eles estavam super contentes de estar a aprender coisas novas, fartaram-se de dizer o bom que era, terem oportunidade de estudar mais um pouco, de facto, eram daqueles que teriam dado muito para terem continuado a estudar (um tinha a 6ª e outro a 7ª classe). Fiquei também muito contente, porque perceberam o meu português, eu achava que isso ia ser um problema, mas no geral eles até me entenderam. (é verdade, senhora dona Inês Barreiros, os professores disseram que eu era parecida contigo, mas que falo melhor português :P)

Amanhã vai ser mais um dia de visita a comunidades, e na segunda-feira será então o meu primeiro dia de aulas, ou melhor, será a abertura oficial do ano escolar, que aulas mesmo, só devem começar na outra semana, pois a primeira semana de aulas é para limpar a escola, ou seja, todas as crianças vão de enxada para a escola, "capinar" o mato que durante as férias (principalmente por estarmos no tempo das chuvas) cresceu na envolvente da escola!

Até outro dia.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Caminhando por Moçambique

Sexta-Feira, 18 de Janeiro

Estes últimos 3 dias foram de passeio!

Na terça-feira fomos até Nampula, levar o Ricardo (um seminarista que esteve cá a estagiar durante um ano em meio) que regressou a Portugal, e ainda tratar de uma série de burocracias e compras!

Fui por os meus papéis para a autorização de residência, antes davam-nos um DIR, que é uma espécie de bilhete de identidade, com a duração de um ano, mas renovável. Agora as coisas mudaram um pouco, e o DIR, só se recebe ao fim de 2 anos cá, por enquanto tenho direito a um visto de residência precária, que já não é um papel á parte, ma sim um carimbo no próprio do passaporte, mas a tinta dos carimbos deve ser bem mais cara, que fazer um documento novo, pois às 2 meses atrás, quando ainda se recebia o DIR pagava-se 700meticais (+/- 20 euros) e agora custa 2600meticais (+/-75euros), apenas um ligeiro aumento, que quase não se nota!!!

E além deste aumento, este novo sistema faz com que eles fiquem um mês com o meu passaporte, o que não me deixa muito segura pois penso que existe alguma possibilidade de ficar sem ele, até porque tive logo um bom exemplo, estava um senhor na emigração quando eu fui por os papéis, que queria levantar o passaporte, e eles muito calmamente disseram que não o encontravam, e que iriam procurar melhor!

Bom, mas vamos tentar um pensamento positivo, tudo se resolverá!!

A cidade de Nampula, tem crescido de uma forma parva nos últimos tempos, já se consegue encontrar quase tudo na cidade. Claro está que além daquilo que procuramos, encontramos também muito lixo, muitas ruas esburacadas, muitos miúdos de rua a pedir… enfim, o típico de uma cidade que cresceu muito rápido, sem políticas eficientes de ordenamento do território e além disso sem qualquer equidade da divisão dos lucros que advêm deste tão grande crescimento.

O dia foi todo a correr de um lado para o outro. Só para tratar das minhas coisas foi preciso ir a 4 sítios diferentes, fomos ainda ao aeroporto, levar o Ricardo, e foi necessário comprar uma série de coisas, e cada uma das coisas que se compra, compra-se em sítios diferentes, pelo que se anda sempre para trás e para a frente ao longo de toda a cidade!

Eram já 22h quando chegamos de novo a casa, e estava completamente estafada!!

No dia seguinte durante a manha fiquei mesmo por aqui, a tentar descansar um pouco, de tarde fui até Monapo, que é a capital de distrito. Bom, em relação a Itoculo é de facto bastante desenvolvido, mas no fundo é uma aldeia.

Fica a cerca de 10 minutos de carro daqui, e é onde se vais buscar o correio, se trata das coisas do banco e se compra pão, não existem muito mais coisas que isso!

Fui visitar uma missão que lá existe que tem também uma voluntária, que ficará cá durante este ano e que também se chama Joana, tem a diferença que é alemã e loura! Não tive muito tempo para falar com ela, porque foi uma visita de médico, mas há de haver tempo de futuro!

Ontem fui a Nacala. Mais uma vez para fazer compras e tratar de uma série de assuntos! Nacala é uma cidade Portuária, bem, no fundo são duas cidades, a original, que agora se chama Nacala-a-Velha e a mais recente, chamada Nacala-o-Porto, a uns 5 km da original que surgiu por volta da década de 50, quando se aperceberam do porto natural fantástico que aí havia. Assim, Nacala-a-Velha, ficou um pouco estagnada enquanto Nacala-o-Porto, foi se desenvolvendo bastante, face á sua localização estratégica.

Em Nacala visitei um centro de saúde para doentes infectados com HIV, orientados pelo Vicentinos, que tem instalações muito boas, e penso que funciona também muito bem! Fui também visitar uma escola, orientada também por estas irmãs, que fica numa zona periférica, perdida no meio de bairros com uma densidade populacional enorme, e com umas condições completamente deploráveis.

No fim fui ainda á casa das Irmãs Pilarinas, aquilo é um autêntico mundo lá dentro, com creche, centro de saúde, e mais não sei o quê! (Catarina, deixei os teus cumprimentos, elas retribuem, disseram que te fartaste de trabalhar: P).

Assim, foram os meus 3 dias de passeio que me deixaram completamente de rastos, que isto de passear também cansa :P

Até outro dia

Sábado, 19 de Janeiro

Ontem o dia foi finalmente passado em Itoculo, andei a passear por aqui, a conhecer algumas pessoas e os arredores.

Itoculo, tem como centro uma grande praça, que em tempos deve ter sido bem bonita, neste momento resta uma enorme praça de terra batida, com diversas ruínas de casas do tempo colonial, e ainda a casa do chefe de posto local, a escola e um centro de saúde. A rua principal (e única), em tempos asfaltada, é agora em terra batida e sai dessa praça, de um lado para Nacala- a-Velha, e do outro para a estrada que liga Nampula e Nacala (Este estrada sim bastante boa).

A Aldeia estende-se, um pouco aleatoriamente á volta desta praça, sendo que as únicas casas além destas que são efectivamente casas, como nós as configuramos, só mesmo as da missão, todas as outras são palhotas.

Conheci um alfabetizadora, uma senhora dos seus 35 anos, que me esteve a ensinar propriedades medicinais de algumas plantas! Claro que da maneira que eu sou, já não sei qual planta serve para o quê, pelo que nem penso em aventurar a ir fazer misturas, mas as irmãs costumam fazer alguns medicamentos com base em plantas de cá, que distribuem aos doentes, com efeitos muito bons!

À noite houve festa aqui no centro paroquial. Desde terça-feira decorreu um curso de formação para os jovens líderes das suas comunidades, ontem a foi a noite de convívio, e toda a equipa missionária foi convidada para assistir!

Os jovens tinham que fazer teatros sobre os vários temas que foram abordados no curso (cada grupo ficou com um tema) e foi hilariante, este povo tem um jeito inato para o teatro, um teatro muito natural de caricaturar do quotidiano…fartei-me de rir, mesmo sem perceber nada porque fizeram os teatros todos em macua, foram simplesmente hilariantes.

No fim dos teatros houve muita música e dança, uma das irmãs (a irmã joyce) praticamente me obrigou a ir também dançar, de modo que já me estriei nas danças de cá, o que vale é que as danças africanas têm andado na moda por Portugal, de modo que lá consegui atinar mais ou menos com aquilo, e nem dei assim muito mau aspecto!

Enfim, foi divertido, só não foi divertido no outro dia ter que acordar às 5h30 (como todos os dias)!!

Até outro dia!

Segunda, 21 de Janeiro

Bom dia!!

Ontem a hora de acordar não foi às 5h30 como o habitual, mas sim ás 4h30, para às 5h seguir viagem. Mais uma vez, ao domingo lá fomos a mais uma comunidade, desta vez a uma bem longe, duas horas e meia, de muitos buracos, muita lama, e mato até perder de vista. (Não sei como raio é que eles se orientam e não se perdem nos caminhos, não há pontos de referência nenhuns, se me deixassem sozinha a meio do caminho, tenho a sensação que nunca mais ninguém me via!!).

Desta vez fui até Namelima (não sei como se escreve, mais uma vez…) com o padre Damasceno, mais uma vez foi uma missa de duas horas e meia em macua, mas no fim foi engraçado, quando começaram a tentar falar comigo, e com a curiosidade natural, tentarem saber um pouco mais. Embora de facto o tempo que se passe nestas comunidades não seja muito, e embora eu só perceba 1 % daquilo que se diz, as pessoas recebem-nos com um sorriso e disponibilidade tal, que faz com que valha bem a pena.

Quando estávamos a voltar tive um momento assim um pouco mais pesado, abordaram-nos para levarmos um doente ao hospital. Fomos ver, e era um doente que uma das irmãs que é enfermeira tinha atendido no centro de saúde á uns 3 meses, e que enviou para o hospital distrital, mas o hospital pelos vistos mandou-o para casa, disse para ele lá voltar quinze dias depois, mas entretanto ficou de cama, e tendo em conta que ele está a duas horas de carro do hospital (sendo que carros não existem além dos nossos). A Irmã suspeita que ele tenha um tumor na bexiga, a verdade é que já não ia á casa de banho á uma série de tempo e estava completamente em desespero com dores.

Perguntamos se quereria vir então connosco, para pelo menos ser algaliado, mas sabendo que provavelmente não haveria nada a fazer, pois mesmo que seja um tumor benigno, ele teria que ser operado, algo que por aqui não é possível… O senhor disse que queria vir connosco, mas antes disso o Padre Damasceno ainda o baptizou (ele estava a preparar-se para ser baptizado na Páscoa).

Quando estávamos para sair, chamou os filhos, um, a um, para se despedir, e essa parte foi um momento assim bastante emocionante, ele tinha noção que provavelmente não voltaria a ver os miúdos… enfim…

Lá o trouxemos, e ficou entregue aos cuidados do enfermeiro, pelo menos algaliou-o, o que já o aliviou, embora de continue a contorcer-se com dores… assim se morre por estas terras…

Foi um dia cansativo, quer fisicamente, quer psicologicamente, mas no fim do dia, jantamos todos juntos em casa dos Padres, e tivemos direito a sessão de cinema, com pipocas e tudo, o que aliviou bastante o dia, e deu logo outro ânimo.

Até outro dia!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Salama

Segunda, 14 de Janeiro

Salama!

Estou no meu terceiro dia em Itoculo, e ainda não tenho assim muito, muito para contar, até porque ainda não fiz muita coisa!

No primeiro dia, levantei-me às 11h30 (o que para aqui é tardíssimo) e fui direita para almoço em casa das irmãs onde fui brindada com uma fantástica lasanha!! Durante o almoço choveu imenso o que foi óptimo porque a temperatura desceu ainda um bom bocado (o calor aqui é imenso, mas eles dizem que para esta altura até esta fresco, nem quero imaginar, como seria se não estivesse fresco).

Depois de passar a chuva, já almoçada e de cafezito tomado, voltei para casa, onde fui dormir a sesta (aqui dormem sempre a sesta, até porque é uma altura muito quente, e é quase impossível fazer alguma coisa a essa hora), podem pensar, mas se dormiste até às 11h30 ainda conseguiste dormir a sesta às 14h? Consegui pois, e só acordei às 16h com despertador!!!

Bom, após a revigorante sesta fui até casa dos padres lanchar e daí fui para a missa no centro paroquial. Foi aqui o meu primeiro contacto com a população, embora não tenha estado muito tempo com eles, foi bastante bom, e deu para perceber que ficam sempre felizes de terem gente nova por cá!!

No fim da missa fiz uma amigo, é um rapazito que é quase mudo, não me queria largar a mão na altura de ir embora e no fim disse-me "até amanha" J!!

(abro aqui um parêntese para dizer que ontem me disseram que havia uns bichinhos que não se deviam esborrachar, porque cheiravam bastante mal, acabei de descobrir quais são… ainda por cima estou no meu quarto… bolas!!)

Depois da missa fui jantar a casa dos padres (em principio irei sempre almoçar a casa das irmãs e jantar a casa dos padres), e por volta das 21h fui-me deitar. (Mas desta vez ainda dei muitas voltas até conseguir adormecer).

No Domingo levantei-me às 5h da manha (pois é, no segundo dia já não existe a desculpa de que estamos cansados da viagem!) para, ir fazer uma visita a uma comunidade. Todos os Domingos os padres dividem-se para irem celebrar missa e passar algum tempo com as comunidades de Itoculo. Ao todo são 75 comunidades, com só existem 3 padres em muitas acabam por só lá ir uma vez por ano ou algo assim.

Calhou-me ir com o Padre Pedro até Marané (ou algo parecido com este nome), no caminho para lá passei por plantações imensas de sisal que estão a ser exploradas por Indianos, por uma zona lindíssima de planalto com uma colina toda feita em pedras no meio (não sei muito bem descrever, mas acreditem que era mesmo lindíssima), passei ainda pela casa de voluntários da ADDP (em Portugal ouvimos mais falar dela como Humana), que estão a fazer um projecto de desenvolvimento bastante interessante, espero ter tempo para poder contactar um pouco mais com eles, pois penso que poderão ser uma fonte de ideias bastante interessantes.

Muitos buracos depois, lá cheguei ao destino. Era uma comunidade bastante simpática e humilde, cheios de perguntas e curiosidade (fizeram-me um interrogatório que nunca mais acabava). Já não tinham missa desde de Abril e não estavam à espera do Padre, pois fomos de surpresa, mas a igreja estava cheia (não que fosse muito grande).

As pessoas brindaram-me todas com sorrisos enormes, foi muito bom!!

Após duas horas e meia de missa em macua, passamos á parte do almoço (às 10h30 da manhã), ainda não foi desta que provei a chima, ofereceram-nos antes arroz com nicusi (não sei se é assim que se escreve, mas é assim que se diz) que são uns peixinhos minúsculos, que se põe ao sol a secar e depois se cozinham num molho qualquer estranho, não é propriamente muito bom, mas come-se, e é feito com muita vontade, que é o que conta.

De volta a casa, foi tempo de descanso e à noite o jantar foi em casa dos padres, mas aos domingos as irmãs também se juntam a eles, de modo que foi um jantar muito divertido, com direito a sobremesa e tudo e que durou até às 21h40, o que é verdadeiramente tardíssimo para aqui!!

Em relação á comunidade de irmãs e padres, têm sido impecáveis, super prestáveis e tentam deixar-me ao máximo à vontade. Além disso são uma comunidade super, mas mesmo super divertida, pelo que com eles estou sempre bem-disposta!

Hoje voltei a acordar tarde (por volta das 9h) pois á segunda é dia de descanso, aproveitei o dia para limpar e arrumar o quarto, desde lavar a casa de banho, esfregar o chão, desfazer a mala, por as fotos na parede… enfim, começar a transformar este cantinho no meu espaço, para me sentir em casa!!

Bem, acho que já vos entediei o suficiente… e ainda por cima, ainda com tão pouco para contar! Amanha vou a Nampula tratar de Bilhete de identidade e afins!

Até outro dia.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Como tudo começou

A minha viagem até parecia que ia começar calminha, fui para o aeroporto com bastante tempo de antecedência, quando lá cheguei descobri que o voo tinha atrasado mais um horas, pelo que ainda mais tempo teria. Como menina bonita, fui logo fazer o chek in, para não me chatearem com os meus 10 quilos a mais!!

Quando chego ao check in, a senhora ficou imenso tempo a olhar para o pc com cara de caso, até que finalmente me disse que o meu bilhete não estava válido, e que tinha que ir ao apoio ao cliente, para eles me passarem um novo válido. Fui ao apoio ao cliente, onde me disseram que a outra senhora tinha razão, de facto o bilhete não estava válido, e quando perguntei o que é que poderia fazer disseram que não sabiam bem, mas que o ideal seria ir á TAP (foram muito prestáveis também), chegada a TAP, a senhora foi também muito prestável, disse que não podia fazer nada, porque o voo era um parceria entre a TAP e a LAM e que só a LAM é que poderia tratar do meu caso, e portanto disse-me para ir ao gabinete da LAM , que fica portanto no centro de Lisboa!!!! Depois disto liguei para a Abreu (onde me tinham comprado o bilhete) e eles começaram a tratar disso, fui também ao gabinete da Abreu no aeroporto que me mandou para ao pé do chek in, para ficar á espera de uma senhora de LAM, que de vez em quando anda por lá. Portanto, lá fui para o chek in (sozinha, porque agr no chek in não se pode entrar), com o pessoal todo cá fora, a apanhar a seca da vida. Finalmente tudo se resolveu, lá apareceu a senhora da LAM, e lá fiz o meu chek in.

Voltei então cá para fora, o stress deu-me alguma adrenalina, de modo que, embora nesse dia até estivesse um pouco mais em baixo, quando cheguei cá fora as despedidas acabaram por ser muito mais "fáceis" dos que estava à espera!

Bem, lá entrei no aviãozito!

Infelizmente não fiquei com um lugar na janela, mas os bancos até eram bem confortáveis de modo que mal entrei adormeci, acordei para jantar por volta das 19h, e depois, estive a ver o filme mais estúpido dos últimos tempos (pior ainda que os filmes de domingo à tarde), e mal acabou o filme pensei, vou dormir!!! Enganei-me!!! A senhora que estava atrás de mim, e a senhora que estava +á minha frente, conheceram-se algures durante o filme, para não mais se calarem, eram duas portuguesas, que falavam um português correctíssimo, mas como moravam as duas na África do sul, acharam por bem falarem um com a outras em inglês, com uma pronuncia fabulosa, eram a Elsa e Fátima (ou como ela diria "Fétimé), e sei tudo o que quiserem saber da vida delas, as mulheres pareciam galinhas, havia quem já dissesse que o avião devia ter separado os que querem dormir e os que não querem! Por volta da 1 da manha, já em desespero de causa, resolvi que devia dizer ás senhoras para falarem um pouco mais baixo, e lá lhes disse, mas de uma forma super simpática, ao que o raio da mulher me responde que se eu quisesse ela até falava mais baixo, mas que daqui a bocado iam ligar as luzes para o pequeno almoço !!!! é preciso uma lata!!

De facto as luzes para o pequeno-almoço acenderam cedo (mas só duas horas depois da mulher me ter dado aquela fantástica resposta), às 3 da manha lá estava o pequeno-almoço, para às 5 da manha aterrar em Joanesburgo, lá fiquei ainda até ás 8 da manha (aí sim dormi, que os bancos do aeroporto eram daqueles corridos e deu para me deitar).

De volta ao avião, foi só mais uma horita até Maputo! Em Maputo tinha á minha espera o irmão Martin, um italiano dos combonianos, que conhece toda a gente no aeroporto, consegue furar por todo o lado, e foi-me logo buscar +á porta do avião, assim não tive problema nenhum, ninguém me revistou a mala nem nada disso, correu tudo muito bem.

Do aeroporto fui para a casa dos combonianos, onde me deram um quarto com casa de banho, para tomar banho e dormir até ao almoço. Ao meio-dia fui almoçar, almoço à italiana, comendo um arroz, como nós comemos sopa e depois o segundo prato, achei piada.

De tarde o irmão martin foi-me mostrar Maputo, confesso que fiquei um pouco desiludida, não é que não tenha gostado, mas pelo que me falavam, penso que tinha feito outra imagem, penso que o principal problema é que talvez a minha imagem fosse uma imagem tipicamente europeia, o que na realidade não é bem assim. Tem coisas lindíssimas, a costa é fantástica e tem monumentos muito bonitos, mas por outro lado, esta muita coisa a cair, pois muitos edifícios foram nacionalizados e agora o estado não tem dinheiro para os manter de pé. Depois tem também bastantes contrastes, ao longo da costa estão a nascer enormes casarões, mas para isso expulsam os que ai viviam em barracas, mas depois existem umas que ficam, então á casos de casarões que ficam mesmo em frente ao mar, mas entre eles e o mar estão duas ou três barracas! Um pouco estranho!

O irmão levou-me ainda a conhecer a partes mais pobre da cidade, na sua periferia, ai sim, faz muita confusão, muita gente a viver em condições deploráveis, fomos ainda até uma lixeira, onde moram milhares de pessoas, que não podem sair do espaço da lixeira, porque não têm identidade moçambicana, nem nenhuma, são filhos da lixeira e estão confinados a ela!

Depois lá fui para o aeroporto, para apanhar o avião para Nampula, ainda parei 20 minutos na beira, e depois, ás 22h (20h dai), lá fui recebida em Nampula. Aí duas horas de caminho, por uma estrada bastante boa, onde surgem pessoas de todo o lado, que não se percebe bem de onde vêm, nem para onde vão, porque à excepção de duas ou três terreolas, só de vê mato! Vêm-se ainda muitos camiões parados, pessoas a dormir nas bermas da estrada… mas faz-se muito bem a viagem! Depois são 30Km em picada, mas uma picada muito boa, quase sem buracos, até chegar a itoculo, até chegar á minha nova casa!

Era uma da manha (o que para os horários daqui é quase de manha), ainda fomos beber um chazinho, e depois, fui para o meu merecido descanso!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Abertura oficial

Ora então, a dois dias da partida, declaro oficialmente aberto este blog!!
Entre preparativos e despedidas, o tempo para escrever não é muito, no entanto, aqui ficam fotos do meu jantar de anos/despedida e também do jantar surpresa e missa de envio (afinal na realidade só podem ver as do jantar, que a bateria no dia a seguir se foi, de modo que fico à espera de receber fotos de sábado:P).
Aproveito ainda para deixar um obrigada muito especial a todos, por serem também parte activa desta minha nova missão.

beijinhos com cheiro a despedida