quinta-feira, 20 de maio de 2010

Grândola Vila Morena

Boa noite,

Ontem, estava eu a ter uma conversa bastante interessante com um senhor moçambicano, quando às tantas vem ao assunto o Alentejo, e por algum motivo surge a questão de ele ter um problema com Grândola, porque nunca conseguiu ultrapassar o significado da canção…. Eu fiquei a achar bem, o que se passa aqui? Como assim não conseguir ultrapassar o significado da canção? Qual significado é que há a ultrapassar?? Já estava eu na fase de achar: “que desilusão!”, quando ele me contou a forma como a Grandola Vila Morena entra na história de Moçambique no dia 7 de Setembro de 1974.

Para situar transcrevo um texto que encontrei de William Minter no livro "Os Contras do Apartheid":

"7 de Setembro de 1974: em Moçambique colonos brancos exaltados ocupam a estação nacional de rádio protestando contra o facto de Portugal ter concordado com a independência, decorridos dez anos de guerra. Ao grupo FICO e a ex-comandos auto-apelidados de "Dragões da Morte" juntam-se uma mão-cheia de negros opostos à Frelimo, que lutara pela libertação do país. Os manifestantes afirmam querer também um Moçambique independente, só que sem ser governado pela Frelimo. Mas a bandeira que empunham é a de Portugal.

Os rebeldes libertam membros da antiga polícia política que entretanto haviam sido presos. Vigilantes brancos circulam pelos subúrbios africanos, disparando contra civis negros. Em algumas zonas os negros retaliam com paus e catanas. Colonos que haviam partido para a Rodésia e para a África do Sul começam a regressar a fim de apoiar a rebelião. Segundo números oficiais, nos dias que se seguiram morreram catorze brancos e setenta e sete negros. Segundo rumores, houve centenas ou, mesmo, mais de um milhar de mortos."

Nesta mesma revolução, os brancos de direita que tomaram o poder, pelas ruas foram entoando a “Grândola Vila Morena”, enfatizando a frase “o povo é quem mais ordena” e equiparando o seu acto ao 25 de Abril, dizendo que eles, “o povo”, estavam a tomar conta do país.

Engraçado também foi a busca que fiz na internet depois de me contarem esta historia…quase nada existe e o que existe, existe em várias versões, algumas completamente diferentes das outras.

Em Itoculo, meia isolada e no mato, sentia as feridas que a guerra deixava ainda hoje nas pessoas, mas aqui, em Maputo, percebo que as feridas deste povo vão muito mais longe, percebo que são um povo onde muita história está ainda por contar e esclarecer e que, por isso mesmo, o processo de reconciliação com a história está ainda longe de ser feito.

Até outro dia,

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A fuga de cérebros aqui é para os taxistas!!

Em Portugal dizem que a fuga de cérebros é para o estrangeiro, pois eu começo a ficar convencida que a fuga de cérebros por aqui é para os táxis!!

Aqui está uma “classe operária” que as minhas estadias por estas terras ainda não me tinham feito conhecer. E que agora bastante tenho conhecido. Nesta minha estadia por cá, ainda não matei a saudade de andar de chapa. Como normalmente tenho que andar de um lado para o outro, com reuniões aqui, coisas combinadas ali, e afins acolá, recorrer ao táxi (e ajudando também o facto de não ser eu que o pago) tem sido um grande solução. Estou portanto uma típica burguesinha, mas não é esse agora o tema da conversa!

Quando o trânsito aperta e o tempo dentro do táxi é mais longo muitas vezes começa também a conversa a fluir e…opa, não digo que seja a maioria, mas já por algumas vezes dei por mim a falar com pessoal ou com cursos superiores, ou com cursos técnicos…ora falando num país com falta de quadros, não deixa de ser estranho.

Apanhei um senhor que tinha tirado gestão e que estudou 5 anos em Portugal, que ainda foi tentando “uns negócios” e acabou nos táxis porque “assim, todos os dias tenho dinheiro para comer”; apanhei um técnico de pecuária que prefere a cidade, onde não há pecuária, e por isso foi para os táxis; apanhei outro rapazito novo que tinha um curso médio de informática, e que usava esses conhecimentos para a sua página da net: que era a pagina do táxi!

Portanto se uns tentam medidas para manter os seus quadros dentro do país, aqui parece que a luta ainda tem que ser maior, não só de os manter dentro do país, como ainda de os manter fora dos táxis!

Até outro dia,

Visto de Fronteira

Os vistos de fronteira para entrada em Moçambique podem ser pagos em Euros, Dólares ou Meticais, absolutamente indiferente a forma que se paga:

• Em euros: 25 euros

• Em dólares: 25 dólares (o que não chega portanto a 20 euros)

• Em meticais: 380 meticais (o que não chega sequer a 10 euros)

Portanto, é indiferente a forma que se queira pagar, aceitam as 3 moedas!

Até outro dia,

domingo, 16 de maio de 2010

E houve festa na terra do rei!

Segunda, 10 de Maio de 2010

SLB… SLB…SLB, SLB,SLB, Glorioso SLB, Glorioso SLB!!!! :)

Pois é, o campeão está de volta e como tal ontem foi dia de festa!!

Eu bem sabia que aqui em Moçambique também se festejavam as vitórias do Benfica, mas confesso que estava longe de perceber a dimensão da coisa!

Fomos ver o jogo a um parque de um clube desportivo que nos disseram que estaria mais calminho e que tinha um ecrã gigante (no Porto-Benfica tínhamos andado de bar em bar, que tudo estava cheio), e lá fomos nós! Chegando lá, ora portanto: ecrã gigante ao ar livre, mesas com toalhas do Benfica, CD do Benfica a entoar a alto e bom som e imensas pessoas para assistir ao jogo :) estava a festa montada!! Quando logo no inicio o Eusébio foi filmado houve gritos e aplausos, confesso que me arrepiei!

Sobre o jogo, foi o que todo viram!!:)

No fim do jogo, todos felizes e contentes, depois de saltos e efusivas cantorias lá no parque decidimos que nos íamos juntar às businadelas dos carros que pelas ruas faziam a festa, mas claro está que não pode ser tudo assim fácil e chegados ao carro (que era um jipe) ora bem, peneuzito furado! E a que se assistiu a seguir : 2 homens a suar em bica enquanto trocam o pneu e 3 mulheres a festejar efusivamente na estrada com todos carros que passavam!!eheheh :) (existem fotos a documentar este fantástico momento, mas estão num telelmovel e sem maneira de momento para se passar para o pc!)

Mas a festa de facto foi qualquer coisa: desde os carros xpto, de vidros fumados e senhores de muito papel, que ontem á noite abriam as janelas, saíram do seu aquário e com todos que se cruzaram festejaram efusivamente; às camionetas de caixa aberta a cair aos pedaços completamente apinhadas de pessoal que lá em cima gritava e cantava!! Não havia diferentes raças, não havia diferentes culturas, não havia diferentes classes sociais…havia BENFICA :)

Ontem houve festa na terra do rei, festa bonita, festa do povo :)

Até outro dia,

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Debate sobre Desenvolvimento

Olá,
As minhas colegas, ainda na primeira semana, foram tomar café, e dizem que não resistiram a me comprar isto! :)


Até outro dia,

terça-feira, 11 de maio de 2010

Teatro do Oprimido

Sabado, 07 de Maio, 2010

Ontem fui ver uma peça do teatro do oprimido ao centro cultural Brasil – Moçambique.

Já há algum tempo que conheço o teatro do oprimido, porque uma amiga do meu irmão fez uma reportagem há uns 2 ou 3 anos sobre isso, e na altura aquilo interessou-me bastante e andei a fazer alguma pesquisa sobre o assunto.

Entretanto, enquanto estava em Itoculo, houve uma vez em que passou lá um grupo do teatro do oprimido e…. mando-vos parte de um mail que escrevi na altura ao meu irmão:

“em relação ao teatro do oprimido, epá a ideia é muito boa, e em alguns sítios pode resultar, mas aqui (em Itoculo) é uma banhada por completo… não tens noção, apareceram uns tipos do teatro do oprimido, com ligação a Maputo, que vieram passar uma semana a Itoculo, para um projecto contra a sida, epá eles começavam com o teatro e depois pegavam nas pessoas e basicamente fizeram o espectáculo mais deplorantes que vi ate hoje… era basicamente um interrogatório a varias pessoas, que quase parecia interrogatório de policia, mas com perguntas do tipo, “quantas vezes tem sexo por dia?” (a pessoa respondia e toda a assistência ria imenso), “quantos parceiros tem?” (a pessoa respondia e toda a assistência ria imenso), “gosta mais com presservativo ou sem?” (a pessoa respondia e toda a assistência ria imenso)... enfim, não passou daqui... do piorio mesmo. A serio, muito mau mesmo!!”

Portanto fui para esta peça com bastante expectativa, porque de facto tinha referências muito boas, mas uma experiência muito má!!

As peças que fomos ver eram sobre o papel da mulher na sociedade, e foi muito, muito bom! Eram pequenas peças, que retratavam histórias comuns de acontecer aqui, em que a mulher era humilhada. No fim, o público era chamado a dar ideias sobre como resolver a história e, para tal, tinha que entrar na peça e voltar a recriar a peça, mas desta vez com a sua solução, depois havia sempre debate sobre se aquela solução resultava ou não. Desta forma, o público é confrontado com questões e é o próprio que as tem que resolver, pondo-se no papel de quem sofre! Juntando toda esta ideia ao jeito inato e fabuloso que os Moçambicanos têm para representar…epá fabuloso mesmo!!

Agora, voltando a Itoculo, havia uma diferença fundamental entre esta peça e a que eu vi lá: esta tinha uma “facilitadora”, que era quem dirigia todo o debate, com anos de experiência não só em teatro, como na parte das questões sociais e de género…

Estas peças eram o resultado de 1 semana de treino que um jovem de cada província de Moçambique teve, para agora poder voltar para a sua província e fazer lá o teatro do oprimido. Pode até acontecer que um ou outro sejam por natureza bons moderadores, mas na sua maioria, não será com uma semana que o conseguirão ser, além disso, no teatro foi claríssimo que muitos deles faziam na vida real o que ali apontavam como errado, muitas das soluções encontradas não eram de todo naturais para eles, e são eles que agora vão ser facilitadores noutros lados!

É importante, obviamente, que as coisas boas se espalhem, mas se não forem feitas como deve ser, acabam por deturpar completamente o principio inicial… de que vale se conseguir chegar com o teatro do oprimido a todo o Moçambique se ele não cumprir as suas funções fundamentais?

Portanto, conclusão: Viva o Teatro do Oprimido, mas vamos com calma!!! :)

Até outro dia,

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Parece que sou oficialmente bicho do mato

Ora portanto, estive 1 ano inteiro no meio do mato e só uns problemas de estômago já mais para o fim do ano, meses a passear por aqui e por ali, sempre a acampar ou a ficar em sítios manhosos, e nada… estou uma semana num hotel xpto em Maputo, e toma lá que uma semana depois fico de cama!!! Mas enfim,  já estou em grande processo de recuperação!!

Viva os ares condicionados que dão cabo de mim!! :)

Até outro dia,

Os brancos também lavam o chão!

Segunda, 03 de Maio de 2010


Lembro-me bem, enquanto estava em Itoculo, de tentar explicar, por mais do que uma vez, que os meus avós eram agricultores. Ninguém nunca acreditou em mim, os mais velhos diziam sempre, “pois, aqui os brancos que estavam também eram os donos destas fazendas grandes”; e eu insistia que não, que os meus avós trabalhavam mesmo no campo, tal como eles, com enchadas na mão…nunca consegui de todo que acreditassem em mim, riam-se muito, muito e por fim lá diziam “claro!”, mas sem acreditar minimanente!

Lembro-me ainda de outra história de uma mamã de Nacala, que era mãe de um seminarista que estava em Roma e que teve a oportunidade de lá ir. Ao voltar a Nacala, quando lhe perguntaram o que a tinha impressionado mais na Europa, ela respondeu prontamente: “Chegar ao aeroporto e ver brancos a lavar o chão”.

Estas duas situações em Itoculo eu consegui perceber, estamos a falar de pessoas que nunca saíram dali, que não têm acesso a quase nenhum meio de comunicação e onde os únicos brancos que conhecem ou conheceram são os antigos fazendeiros, os missionários ou voluntários de ONGs, tudo por isso pessoal formado e que normalmente vai pr lá dar aulas, ou trabalhar nos hospitais ou assim, não há praticamente casos (naquela zona) de brancos pobres camponeses, portanto consegue-se perceber que a imagem que eles têm é de facto de que os brancos são todos como os que ali chegam.

Mas, desta vez, consegui ficar surpreendida, quando um sul –africano branco que vive na cidade e não no meio do mato me diz precisamente o que a mamã de Nacala tinha dito : “o que mais me impressionou na Europa foi chegar a ver brancos a lavar o chão”…. Mundo estranho este!

(Não estou a contar isto com juízo de valor sobre a pessoa que o disse em particular… embora triste a verdade é que ele não disse de forma maldosa, disse de forma mesmo sincera, de quem  cresceu e se habituou a ver um mundo divido por raças que não se misturam e que sempre achou que essa imagem seria a do mundo real….triste, mas verdade, é que se no meio do mato há falta de informação, na cidade a informação vem de todos os lados, é preciso termos a mente mesmo muito formatada, para não repararmos no mundo!)

Até outro dia,

Viagem até Maputo comprova que o mundo é do tamanho de uma ervilha!

[só um parêntese para dizer que este blog, com o meu regresso a Moçambique, volta agora ao tempo presente (com apenas um pequenino atraso que sempre o caracterizou)]

Domingo, 02 de Maio 2010

Desta vez não tive histórias de Fatimés e afins a me chatearem durante a viagem toda:):), no entanto uma pequena curiosidade:

Numa viagem de 12 horas é normal que se fale com quem se senta ao nosso lado, portanto às tantas apercebi-me que estava sentada ao lado do tio do Hugo (o rapaz também dos JSF que teve dois anos a viver em Itoculo, mesmo antes de eu ir para lá). Eu estava farta de ouvir falar deste tio dele, e aliás, acho que sempre que vim para Maputo trouxe o número dele na carteira, para o caso de precisar de alguma coisa!! Mundo pequeno e engraçado :)

Até outro dia,

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Viagem até Maputo (3/3)

Em Maputo ficamos na casa das Leigas Combonianas, almoçamos com elas… ficamos por ali a descansar. No dia seguinte fomos passear para a cidade, visitamos museus, monumentos, compramos umas capulanas, os últimos presentes numa feira que tem coisas lindíssimas!


No dia seguinte, visitamos a ilha da Inhaca, nesse dia foi o dia que eu me senti mais turista e explorada como turista… primeiro pagamos o bilhete para o barco, a viagem durou mais de uma hora, depois como o barco não chegava ao cais tivemos que pagar outra vez para um barco pequeno nos levar ao cais, depois uns guardas, andaram atrás de nós para pagarmos para podermos estar na ilha… este inicio chateou-nos um pouco por isso, andamos um pouco até encontrarmos um barzinho bem agradável, onde bebemos uma bebida e descontraímos! Então voltamos para a praia, muito bonita, mas como a maré estava em baixo e não dava para tomar banho porque por muito que andássemos a água não passava dos joelhos, então pensámos ir a outra ilha e ficava mesmo ao lado, mas pediram-nos um exagero para nos levar lá de barco, então resolvemos ficar memo por ali, caminhámos, aproveitámos o sol e chapinhámos na água!!

Ao fim da tarde, apanhámos novamente o barco pequeno do cais até ao barco que nos levou novamente a Maputo, desta vez foram duas horas de viagem, quando saí do barco, parece que ainda balouçava ao sabor das ondas.

Pois é… a viagem chegou ao fim no ultimo dia fomos almoçar à costa do sol e na parte da tarde… o avião estava à nossa espera…


Cada sitio que visitávamos, eu achava que não podia ser mais bonito que o outro… sentia-me como uma criança que com os olhos muito abertos tenta ver tudo o possível e o impossível e absorver todas as cores, cheiros, sons. Eu desejava poder reter tudo o que me rodeava para nunca mais esquecer.

Quando estou mais stressada tento “voar” novamente para Moçambique, país que nunca hei-de esquecer… as pequenas coisas, as paisagens, as pessoas, os sítios, aquele ar que inspiravam profundamente, e era como se estivesses a inspirar tranquilidade…

Quero agradecer a todos os que, durante esta viagem e toda a estadia em Moçambique, nos acolheram, ajudaram, partilharam connosco o seu dia-a-dia, contribuindo assim, para que o tesouro trazido de Moçambique fosse ainda mais valioso.

Sandra Fagundes, LMC

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Viagem até Maputo (2/3)

VILANCULOS A INHANBANE

Em Vilanculos levaram-nos a uma praia, muito bonita, ficamos lá o dia todo a aproveitar o sol e o mar. No caminho de volta podemos ver algumas diferenças nas construções, parámos numa capela, bem diferente, esta era feita de paus e não de matope como nós estávamos habituadas. No dia seguinte fomos a uma ilha, conseguimos negociar um preço mais ou menos. Mas valeu a pena!! Adorei!! Fomos num barco que para lá o motor funcionou e para cá viemos à vela.


Uma praia linda… daquelas que eu pensava que só ia ver nas revistas, a sério, parece ridículo, mas é verdade… mesmo bonita… Mais uma vez aproveitámos a água e o sol. Almoçámos umas lulas maravilhosas feitinhas ali na hora acompanhada de arroz e claro de uma coca-cola e mais uma vez ouvi: “Mamã, quem bebe coca-cola é homem, porque é muito forte para mulher” Enfim… há coisas que se devem ouvir e não tentar perceber!! Lol

Depois fizemos mergulho, foi muito bonito, apesar de eu não atinar com o tubo, e desistir de o usar. Mergulhamos perto de um recife de corais, tantos peixes de tantas cores à minha volta, andamos nisto até estarmos mesmo cansadas!! Foi um dia muito bonito. (aliás todos os dias foram muito bonitos, lindos, maravilhosos, por isso acho que me vou tornar repetitiva em relação a esta observação!! Lol)


No dia seguinte seguimos para outra missão dos padres da Consolata, ao chegar, demos uma volta pela Vila e tentamos arranjar um chapa que nos levasse até à praia que ainda ficava um pouco longe. E teoricamente conseguimos… Ele disse que nos ia buscar à missão. Como em Nampula isso era normal, nós ficamos descansadas! Mas o Padre de lá achou muito estranho… e tinha razão… esperámos, esperámos, esperámos…. E nada, chapa nenhum!! Até que o Padre com pena de nós: “ Vamos lá, eu vou à praia com vocês!” Claro que nós ficamos super contentes!!  Visitámos mais uma praia. Esta tinha um pouco mais de ondas do que estávamos habituadas, mas muito bonita como já era de esperar!

No dia seguinte, seguimos para Inhambane, para isso apanhamos um chapa e depois um barco, o mar estava um pouco agitado, mas lá fomos, as pessoas que estavam no barco estavam a apavoradas! Nessa viagem conhecemos um senhor que por acaso o voltamos a encontrar. Mais à frente vou voltar a falar dele.

Apanhámos mais um chapa e chegámos a mais uma missão dos missionários da Consolata, Guiua, conhecemos a missão, visitamos o cemitério dos mártires de Guiua. Aquela missão funciona como um centro catequético muito parecido ao de Anchilo. Então na altura da guerra resolveram parar os cursos, entre os quais, os de catequistas, mas estes não estavam felizes com isto e voltou a haver um curso, uma noite vieram os soldados, colocaram todos em fila e mataram todos um a um. Tivemos o privilégio de poder participar na missa que se realiza uma vez por mês nesse cemitério em memória dos mártires de Guiua.


À tarde fomos passear pela cidade, uma cidade muito bonita, adorável e simpática.

No outro dia apanhamos um chapa para a praia, a famosa praia do Tofo, bonita, mas com mais gente que nas outras praias que conhecemos. Relativamente ao artesanato vimos coisas que não tínhamos visto noutros sítios. E quem encontramos lá?!?! Pois é… o tal senhor que tínhamos conhecido no barco. Sempre muito simpático que quando resolvemos vir embora para ir conhecer outra praia e nos apercebemos que não íamos conseguir arranjar chapa com facilidade… ele ofereceu-se para no levar até ao cruzamento para podermos apanhar chapa para a outra praia. Depois de estarmos no cruzamento… pois e chapa para a outra praia!??! Não havia…. O que as duas cabecinhas geniais pensaram!??! “Vamos andando e quando passar um carro pedimos boleia!!” Ainda nem tínhamos andado 5 minutos, camião à vista, e claro, deu-nos boleia!! :)

Outra praia maravilhosa para juntar à colecção!! Tomamos uma 2M fresquinha que veio mesmo a calhar por causa do calor, mais um banho, aproveitar a praia e o sol!!

Agora tínhamos outro grande problema… Chapa para regressar ao cruzamento… pois mais uma vez boleia!! E nem iam até ao cruzamento, mas levaram-nos lá. Somos umas sortudas!! :)

De volta à cidade, fomos a um barzinho muito simpático, enquanto esperávamos que o motorista da missão acabasse as compras que tinha vinda fazer à cidade e nos levasse de volta à missão. No outro dia, ainda fomos mais sortudas porque tivemos o carro e o motorista da missão por nossa conta, fomos a três praias também muito bonitas entre as quais a famosa praia dos coqueiros, visitamos resorts muito chiques!!

No dia seguinte tínhamos mais uma grande viagem pela frente até Maputo, a capital!!

Sandra Fagundes, LMC