domingo, 31 de outubro de 2010

A Ilha do outro lado

Inhaca, 24 de Outubro, 2010
(Fotos da Paula)









Até outro dia,

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Changana e os Sul Africanos

Hoje nas aulas de changana estávamos a falar dos nomes que em changana se usam para as pessoas dos diferentes países, ingleses, franceses, portugueses e por aí fora, quando chegámos aos sul-africanos descobri que não existe em changana uma palavra para Sul-Africanos, existem duas: uma para sul-africanos negros, outra para sul africanos brancos…. Assim, se vê como tudo isto é tão recente e tão presente, que a língua falada, aquela que não se escreve, ainda não sentiu necessidade de se adaptar….


Até outro dia,

domingo, 24 de outubro de 2010

Mais um salto à fronteira

Namacha, 3 de Outubto, 2010
(Fotos da Eva)







Até outro dia,

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Reflexões sobre o trabalho

Grito Negro

Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

José Craveirinha (Moçambique)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Olá, olá!


Pois, já lá vai algum tempo que não escrevo nada, entretanto até tinha bastantes coisas para escrever, mas tenho passado tanto tempo em frente ao pc, e o trabalho tem sido tão stressante que quando paro o que menos me apetece é ainda continuar no pc a escrever.

Mas o fim de semana passado foi tão bom que me obriga mesmo a partilhar!

Então, aproveitando que todos os meses tenho que ir à fronteira por causa do visto, o fim de semana passado fui à Suazilândia a um parque chamado Hlane (é de lá que vem o filme do post anterior!)

Opá, foi qualquer, qualquer coisa mesmo!

Éramos 4 e ficámos numas casas perdidas algures no meio do parque, de modo que a partir do anoitecer (portanto 6 da tarde) “não era aconselhável” sair de casa por causa dos animais. Logo na ida do sitio principal do parque (onde ficava a recepção e afins) até à nossa casa, em vez de demorarmos os normais 20 minutos, demorámos quase uma hora porque : “olha uma girafa no meio da estrada”, “olha gazelas”, “olha impalas”; “olha …”, fantástico mesmo.


Logo nesse dia que lá chegámos, depois de almoço, fomos fazer um safari a pé! Epá…. Safari a pé é qualquer coisa… andar ao lado de girafas, para a observar rinocerontes brancos, e andar a nos escondermos atrás dos arbustos para ver elefantes, nem tem explicação… é mesmo qualquer coisa. Claro que se tem que ir com um guia, tem uma série de regras, que digamos que riscos à sempre, mas epá…. Fiquei mesmo sem palavras, foi uma experiência fabulosa.



Mal acabamos o safari fomos para casa, que se fazia noite, e a essa hora já tínhamos que estar enclausurados em casa. Já em casa, depois de cozinhado o jantar, deliciamo-nos com uma excelente conversa, mas cedo nos deitámos, que a hora de despertar no dia seguinte era às 4h30 para irmos fazer um safari, desta vez de jipe, ao nascer do sol.

Foi aí que filmei o elefante, que foi um momento fabuloso, era também suposto vermos leões, mas eles não quiseram que os víssemos…e portanto ainda não foi desta que vi um leão.


No regresso à fronteira passamos por outro parque natural que ficava mais ou menos a caminho, para irmos fazer uns trilhos a pé, ou assim. Chegamos à entrada e a senhora disse que naquele parque não havia amimais perigosos portanto estávamos à vontade para fazer os trilhos a pé que eles tinham demarcados. Muito bem, estacionamos o carro numa zona que eles têm de campismo lindíssima, e lá vamos nós tentar um trilho que nos parece giro.

1ª tentativa de trilho: uns 10 metros depois do inicio do trilho temos que passar pelo leito de um rio que estava seco, e seguir o trilho do outro lado. Muito bem! A meio do rio o David pára (bastante contente e a apontar para ao lado do trilho que tínhamos que seguir): “olhem, um lagarto gigante!” e o lagartinho passa mesmo pelo trilho que tínhamos que seguir: Qual lagarto gigante qual quê: ERA UM CROCODILO, pronto vá, um crocodilo jovem, pronto vá, uma bióloga já me disse que ele não teria feito mal, mas….. era um crocodilo!!!! Claro que, voltamos para trás, mas com a desculpa oficial de que “dava a sensação de que o trilho mais à frente tinha muita vegetação e não dava para passar” obvio que nós não íamos ter medo de um crocodilo! Obvio!....

2ª tentativa de trilho, 20 metros à frente, o trilho desaparece…


Nesta altura pegamos no carro e vamos para outra zona de trilhos:

3ª tentativa de trilho: “pithons poll” era o nome do trilho…anuncio logo no inicio: zona potencial de pitons, tomem cuidado…pois, desculpa oficial: era tarde! Mas neste ainda andamos um pouco e este sim valeu a pena que a zona era lindíssima.


Para terminar, ao sair do parque uma vista simplesmente brutal no meio das montanhas, descobrimos um lodge completamente vazio, que é simplesmente qualquer coisa, fomos comer um belo bife de vaca (a carne de vaca na Suazilândia é super famosa, e faz jus ao nome) e voltámos para confusão da metrópole!

E assim se resume o fantástico fim de semana que me fez voltar à escrita.


(As fotos mais giras não estão na minha maquina, e para variar não as tenho, mas ficam algumas)

Até outro dia,

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Amanhecer em África

Domingo, 17 de Outubro, 2010
(Hlane, Swaziland)

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Hi mina Joana Pedro, wena ke?

Comecei a ter aulas de Changana :)
(Se bem que se isto tiver o mesmo efeito que as aulas que tive de checo, ou com o estudo autodidacta de macua, vou falar changana em 3 tempos…enfim…)

Mas, mesmo para quem como eu nunca chega a conseguir falar, aprender outras línguas tem várias coisas interessantes: Uma das minhas colegas de turma, na primeira aula disse que um dos motivos para querer aprender changana é porque aprender a língua ajuda sempre a perceber também a cultura de um dado lugar. E é engraçado de facto perceber certas coisas onde a língua e a cultura se entrelaçam.

No macua, havia uma coisa que eu já tinha reparado bastante, é que ouvir e perceber dizem-se da mesma forma: “nihiwa” e, de facto, a verdade é que culturalmente no povo macua existe uma hierarquização muito grande, e uma submissão muito grande do povo face às figuras de poder. Assim, quando um pai (que no caso será o tio materno) diz alguma coisa, ou quando um regulo diz alguma coisa, as pessoas ouvem/percebem, não discutem!

No Changana houve uma coisa que já me chamou a atenção (e que fiquei curiosa para saber se também é assim em Macua), não existe palavra para “futuro”, nem para “para sempre”, existem expressões que se usam que dão para utilizar neste sentido, mas não querem dizer bem, bem a mesma coisa. Achei (achámos, que todos os outros na turma também comentaram) interessante, de facto, é tipicamente uma cultura do dia-a-dia e do presente (tb muito do (ante)passado) e isso está espelhado também na lingua!

Até outro dia, (e aqui está uma expressão que se diz em macua, mas não se diz em Changana,snif!)