segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mountain Kingdom

De volta às viagens em África, de volta às peripécias, de volta às paisagens deslumbrantes, de volta à proximidade com o povo, de volta ao porquê deste continente nos apaixonar e enfeitiçar.

Findo um projecto que me deixou sem vida os últimos 2 meses, fui com a minha colega “limpar a cabeça” e partimos até ao pequeno, pequeno reino do Lesotho, um conjunto de montanhas, completamente cercado pela África do Sul, e cujo ponto mais baixo tem 1400 metros.



Bom, para começar, há um pequeno problema com o Lesotho, é que fica lá… lá… lá em baixo, a quase 1000 km de distância de Maputo, e com muita África do Sul para percorrer pelo meio, portanto a meio do dia, lá saímos nós de Maputo, com muita estrada pela frente!

Primeira noite, ficámos numa cidade chamada Ermelo, ainda na África do Sul, chegámos e lá fomos à procura do sítio mais barato, passamos num backpakers….cheio! Passámos numa pensãozeca, dizem um preço que achamos caro de mais, mas que nos dizem ser o mais barato de toda a cidade….não acreditamos e continuamos a procurar… uma hora de muitas voltas, e muitos sitos mais caros que o primeiro, chegámos a uma pensão fabulosa (a melhor de todas as que tentamos), em que o preço para uma pessoa era tanto como na 1ª o total das duas….ora bem, faço uma cara triste, e ele diz “bom, mas podem sempre preencher o quarto como se fosse só uma pessoa!” :) :) Portanto, ficámos na melhor, pelo preço da mais barata!

Segundo dia, depois de muitas obras na estrada, de muitas horas de carro, a meio da tarde entramos finalmente no Lesotho! Logo na fronteira, inundam-nos as buzinas (por momentos vieram-me as recordações de Díli e Manila, sempre bom recordar cidades pela quantidade de poluição sonora!!), os carros misturam-se de um lado para o outro sem se perceber bem qual o lado correcto, claramente saímos da África do Sul. A contrastar com as casas pobres, e com as vilas típicas de uma África interior e esquecida, a estrada em que conduzimos está em condições óptimas, o sistema de estradas faz parte das grandes contestadas barragens construídas no Lesoto, para abastecer de água a África do Sul, e por isso temos um “país africano”, com estradas sul-africanas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Barragem_de_Katse)!

Chegamos já quase de noite à capital, Maseru, onde o Lonely planet nos deixou ficar mal, ao falar de um backpackers que não só não existe, como o sitio onde é indicado é, pelos vistos, na zona mais perigosa da cidade… mas, como a sorte sempre acompanha duas meninas em viagem, houve um senhor a quem tínhamos pedido indicações, que, ao nos ver a ir perdidas para aquele lugar, nos seguiu e nos acompanhou até arranjarmos um bom sitio para ficarmos!

Não ficamos muito tempo na cidade de Maseru, tal como grande parte das cidades que tenho conhecido por aqui, não se morre de amores por esta cidade ao primeiro olhar, mas acredito que alguns dias por lá me fariam mudar de ideias. Estas cidades são cidades que não nos prendem pela sua beleza visual em si, mas si pela vida que contêm, assim, sem dar tempo para beber dessa vida, acho que é difícil gostar delas.



Seguimos então para as montanhas, aí sim, onde a beleza visual nos cativa desde o primeiro olhar. A caminho passámos por Morija, cidade que acolheu a primeira missão deste país (o pais é maioritariamente cristão, e os missionários tiveram também um papel relevante na luta pela independência), e onde se encontra o único museu de todo o Lesotho. Tivemos direito a uma aula de história, que nos levou desde ao primeiro rei, até ao actual, passando por algumas práticas e costumes locais. O museu é minúsculo e não tem grande coisa, mas é muito interessante, e as pessoas são super simpáticas.




A seguir ao almoço chegamos finalmente às montanhas….ahhh, as montanhas…. Uma paz, uma beleza!...No primeiro dia passeamos só pela aldeia, no dia seguinte fizemos uma caminhada de 8 horas, passando por umas cascatas e por umas piscinas naturais…é simplesmente fabuloso, não só a beleza natural, mas a forma como as pessoas ainda se enquadram nesta natureza, como fazem parte da paisagem e a embelezam com os seus cobertores pelos ombros, enquanto passeiam os animais.




Nesta caminhada tivemos como guia um jovem lá da aldeia, que nos contou imenso sobre os ritos de iniciação, as tradições do povo, o orgulho de ser basoto (nome do povo do Lesoto), e foi interessante ver como, nas vidas dos jovens da nossa geração, perdidos nas montanhas do Lesoto, o tradicional se junta ao actual, e os jovens fazem os rituais de iniciação, mas usam rastas, ouvem e Bob marley e dançam break dance!

Três dias depois era tempo de voltar à estrada (snif!), o que vale é que a beleza das paisagens da África do Sul (país que tem me tem surpreendido muito, muito pela positiva) fazem as viagens em nada ser monótonas. Aqui, mais uma vez o golpe de sorte, já ao fim dos dia, 10 horas de condução depois, não me apeteceu parar logo na cidade onde tínhamos sítios para ficar, e já a anoitecer, continuar numa estrada no meio do nada, à espera que algum sitio por milagre aparecesse….e…. do nada, um centro de observação de aves, absolutamente vazio, e não só nos deram estadia como ficamos na suite pelo preço da camarata, só porque sim!! :).

Ainda passamos pela Swazilandia (que é a caminho) e ficámos uma noite num backpackers num parque natural, dos melhores backpackers em que já fiquei, com direito a impala para jantar! Dia seguinte passeio de cavalo pelo parque (e cheguei à conclusão que deve ser muito, muito giro, para quem efectivamente sabe andar a cavalo….) e regresso a Maputo!

Ai, e depois desta viagem….quero continuar a viajar…viajar e viajar e viajar…vamos?!

Até outro dia,

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

As maravilhas do preservativo feminino

As meninas mostram-me as suas pulseiras novas, as crianças mostram os balões magníficos, os jovens as bolas com que jogam o seu futebol de pés descalços. Todos eles vêem imensas vantagens no preservativo feminino quando comparado com o masculino, a parte do aro cabe em perfeição no pulso e faz as delícias da moda, por ser maior os balões têm muito mais piada, e permite fazer perfeitas bolas de futebol que seriam bem mais complicadas com o masculino. Sem dúvida um instrumento de alta utilidade em terras distantes.

Felizmente os doadores também viram estes benefícios, e por isso milhares e milhares preservativos femininos foram distribuídos em pequenas comunidades do interior, juntando-se assim aos milhares de preservativos masculinos que por estes centros de saúde já se amontoavam.

Falta medicamentos para tudo e mais alguma coisa, não há anti-retrovirais, os testes para a sida não funcionam há quase tanto tempo quanto existem, mas não se preocupem: há preservativos para todos!

Até outro dia,