Sexta-feira, 4 de Julho, 2008
[Antes de começar o post, faço só um parênteses para explicar um pouco a dinâmica dos hospitais aqui.
Então, na paróquia de Itoculo existem 3 "hospitais":
· o de Itoculo que funciona com 3 enfermeiros e 1 parteira;
· o de Chihire, que tem 1 enfermeiro e 1 parteira;
· e um em Ramiane, que tem só uma parteira, mas que tem uma ambulância (que foi oferecida por uma empresa), que é a que muitas vezes pedimos para vir buscar doentes a Itoculo, que não tem ambulância.
Nenhum destes hospitais tem serviço permanente ou internamento.
Depois em Monapo (a sede de distrito) existem dois hospitais:
· Monapo Vila, que é onde vamos buscar medicamentos e afins e onde se centralizam as burocracias, que tem atendimento permanente e internamento e uma ambulância(que é mais um carro normal) mas não tem médicos.
· Monapo Rio, que é o melhor hospital das redondezas e ao qual se recorre para tudo quanto seja mais grave, fica a cerca de
1º desabafo
Estamos de novo sem medicamentos, há cerca de 2 semanas que não existe um antimalárico, um paracetamol, ou seja lá mais o que for… Tudo o que está a ser utilizado em Itoculo é das Irmãs e ainda assim os antimaláricos já acabaram.
2º desabafo
A ambulância de Ramiane está há 3 semanas parada por falta de combustível…
3º desabafo
No outro dia passamos à noite pelo hospital da Vila de Monapo e pediram-nos para transferir um doente com diarreia para a Monapo Rio, porque eles lá não tinham nada, nem sequer soro, nada de nada, e a ambulância deles não estava disponível...
4º desabafo
Ontem a irmã augusta saiu 3 vezes com o carro das irmãs:
· Da primeira para levar uma grávida que precisava de cesariana, quando chegou a Monapo Rio não era possível fazer lá a cesariana porque tinham uma taxa muito grande de mortes por cesariana e por isso foram proibidos de as fazer. A ambulância não estava de modo que teve de ser a Irma Augusta a ir até ao hospital de Nacala (a cerca de
· Depois quando chegou cá a Itoculo teve de levar uma criança que estava com uma malária cerebral de novo até Monapo Rio (o único antimalárico existente em todo o distrito é Quinino injectável, e só está a ser administrado
· Depois teve ainda de ir buscar o enfermeiro, que tinha ido a uma reunião e que vinha com um carregamento para o hospital. Medicamentos? Não! Molhos de redes mosquiteiras!! De facto as redes mosquiteiras são muito boas, evitam malárias e mais blablabla, (eu própria durmo todos os dias com uma), mas não são feitas para casa de capim onde os ratos correm por todo o lado e onde uma semana depois de se por a rede já esta está toda roída…
5º desabafo
No Domingo passado trouxemos de uma comunidade um doente com insuficiência renal, todo inchado e que não urinava há uma semana, ontem quando a Augusta lá passou encontrou-o ainda sem ter sido atendido por ninguém (5 dias depois).
6º desabafo
A Directora Regional de Saúde está de férias, então deixou uma médica que é a directora do Hospital de Monapo Rio como responsável. Esta foi para um seminário não sei onde e deixou um enfermeiro como responsável. Este foi para outro seminário e esqueceu-se de deixar um substituto. Não há medicamentos, e também não há responsáveis a quem se possa recorrer...
Podia continuar com desabafos, mas é melhor não vos cansar muito, por isso fico por aqui!
Enfim, se os poucos hospitais que existem funcionassem continuaria a haver motivos de queixa, porque não chegam nem de longe nem de perto para toda a população que abrangem, agora assim… é assistir a funerais quase diariamente…
Até outro dia!
1 comentário:
Filhotinha querida
É preciso um grande estofo para aguentar tudo isso e continuar uma vida normal... não sei se aguentaria.
Muitos beijinhos e até quinta-feira
Mamã
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