quarta-feira, 28 de maio de 2008

Medicamentos


Domingo, 18 de Maio, 2008


Penso que já descrevi em algumas situações o quão bem que o sistema de saúde aqui funciona. Começa pela falta gritante de unidades de saúde, cada centro de saúde cobre áreas absolutamente inimagináveis, principalmente para quem tem as dimensões do nosso Portugal na cabeça. Depois a maioria destes centros de saúde são desprovidos de quase tudo, quer de material de trabalho, quer de técnicos especializados, possuem apenas enfermeiros, que aqui têm uma formação bastante diminuta.


Aqui em Itoculo fica um destes centros de saúde que com 2 enfermeiros e uma farmácia, faz mais de 200 consultas por dia.


Os casos de doentes mais graves são enviados para o hospital distrital, que fica em Monapo. Para que a ambulância venha é necessário que alguém tenha crédito (o que muitas vezes não acontece) e é preciso ainda que alguma das ambulâncias tenha combustível (o que na maioria das vezes também não acontece), caso contrario os doentes (estamos a falar dos doentes mais graves) terão de ir sozinhos e aqui os transporte públicos não costumam abundar (para quem pode pagar existe um chapa, mas que passa quando o senhor lhe apetece, e que nem é todos os dias).


O hospital distrital, de facto já tem UM médico, tem também técnicos, que são superiores aos enfermeiros, mas de resto falta-lhes praticamente tudo, desde a comida para os doentes, até aos ordenados, nada existe.


A situação normal já é portanto muito boa, então, para se juntar a estas condições já por si normais, os stocks de medicamentos acabaram! Não existe uma aspirina, um único paracetamol, nem um único anti-malárico (que aqui ataca de forma incrível), isto ao nível de toda a província de Nampula (que é enorme e tem uma densidade populacional também bastante alta).


Ninguém percebe bem o porquê desta rotura de stock, como aliás nunca ninguém percebe bem aquilo que acontece com tudo o que mexa em dinheiro, portanto, os fundos entraram, os medicamentos não saíram… típico!!


O povo aqui costuma dizer, "eles querem que morramos todos", bem com a falta de medicamentos, principalmente de anti-maláricos é mesmo isso que parece…



Até outro dia!


(Na terça-feira seguinte à elaboração deste post os anti-maláricos finalmente chegaram!)




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