terça-feira, 1 de junho de 2010

Olá, olá!!


Parece que aos poucos volto ao mesmo atraso que tinha anteriormente nos posts, e portanto conto agora o meu fim de semana de há já 15 dias!!

Segunda-feira, 17 de Maio, 2010

Este fim de semana a minha colega foi até ao Kruger Park, mas eu, quer porque já tinha ido (embora quando fui, fui só um dia, e ela desta vez foi o fim de semana, o que permite fazer o safari nocturno que deve bem valer a pena.), quer porque tinha um trabalho da faculdade para fazer, acabei por ficar em Maputo… bom, mas de trabalho acabei por fazer muito pouco.

No sábado de manhã dei por mim a ser um “típica moçambicana de Maputo”! Como tinha que ir fazer a renovação do visto um destes dias, aproveitei para ir já desta vez com uma amiga até à Africa do sul. Assim foi que fiz o passeio típico de sábado por aqui: Ir até Nelsprit, encher o carro de compras e voltar para Maputo!! Fabuloso!! Depois disto, acho que já posso me mudar para cá, que já estou a entrar no espírito :P!!










Já no domingo fui fazer um pic-nic a uma praia que fica do outro lado da baía de Maputo – Catembe. Embora a praia em si não seja propriamente fabulosa (até porque é bastante suja), um picnic na areia com a cidade de Maputo ao fundo, com vacas a meio a querem-se juntar ao picnic, com a chuva que teima e nos obriga a refugiar num café, e com direito a um pezinho de dança e tudo: vale a pena!!!


Até outro dia,

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Grândola Vila Morena

Boa noite,

Ontem, estava eu a ter uma conversa bastante interessante com um senhor moçambicano, quando às tantas vem ao assunto o Alentejo, e por algum motivo surge a questão de ele ter um problema com Grândola, porque nunca conseguiu ultrapassar o significado da canção…. Eu fiquei a achar bem, o que se passa aqui? Como assim não conseguir ultrapassar o significado da canção? Qual significado é que há a ultrapassar?? Já estava eu na fase de achar: “que desilusão!”, quando ele me contou a forma como a Grandola Vila Morena entra na história de Moçambique no dia 7 de Setembro de 1974.

Para situar transcrevo um texto que encontrei de William Minter no livro "Os Contras do Apartheid":

"7 de Setembro de 1974: em Moçambique colonos brancos exaltados ocupam a estação nacional de rádio protestando contra o facto de Portugal ter concordado com a independência, decorridos dez anos de guerra. Ao grupo FICO e a ex-comandos auto-apelidados de "Dragões da Morte" juntam-se uma mão-cheia de negros opostos à Frelimo, que lutara pela libertação do país. Os manifestantes afirmam querer também um Moçambique independente, só que sem ser governado pela Frelimo. Mas a bandeira que empunham é a de Portugal.

Os rebeldes libertam membros da antiga polícia política que entretanto haviam sido presos. Vigilantes brancos circulam pelos subúrbios africanos, disparando contra civis negros. Em algumas zonas os negros retaliam com paus e catanas. Colonos que haviam partido para a Rodésia e para a África do Sul começam a regressar a fim de apoiar a rebelião. Segundo números oficiais, nos dias que se seguiram morreram catorze brancos e setenta e sete negros. Segundo rumores, houve centenas ou, mesmo, mais de um milhar de mortos."

Nesta mesma revolução, os brancos de direita que tomaram o poder, pelas ruas foram entoando a “Grândola Vila Morena”, enfatizando a frase “o povo é quem mais ordena” e equiparando o seu acto ao 25 de Abril, dizendo que eles, “o povo”, estavam a tomar conta do país.

Engraçado também foi a busca que fiz na internet depois de me contarem esta historia…quase nada existe e o que existe, existe em várias versões, algumas completamente diferentes das outras.

Em Itoculo, meia isolada e no mato, sentia as feridas que a guerra deixava ainda hoje nas pessoas, mas aqui, em Maputo, percebo que as feridas deste povo vão muito mais longe, percebo que são um povo onde muita história está ainda por contar e esclarecer e que, por isso mesmo, o processo de reconciliação com a história está ainda longe de ser feito.

Até outro dia,

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A fuga de cérebros aqui é para os taxistas!!

Em Portugal dizem que a fuga de cérebros é para o estrangeiro, pois eu começo a ficar convencida que a fuga de cérebros por aqui é para os táxis!!

Aqui está uma “classe operária” que as minhas estadias por estas terras ainda não me tinham feito conhecer. E que agora bastante tenho conhecido. Nesta minha estadia por cá, ainda não matei a saudade de andar de chapa. Como normalmente tenho que andar de um lado para o outro, com reuniões aqui, coisas combinadas ali, e afins acolá, recorrer ao táxi (e ajudando também o facto de não ser eu que o pago) tem sido um grande solução. Estou portanto uma típica burguesinha, mas não é esse agora o tema da conversa!

Quando o trânsito aperta e o tempo dentro do táxi é mais longo muitas vezes começa também a conversa a fluir e…opa, não digo que seja a maioria, mas já por algumas vezes dei por mim a falar com pessoal ou com cursos superiores, ou com cursos técnicos…ora falando num país com falta de quadros, não deixa de ser estranho.

Apanhei um senhor que tinha tirado gestão e que estudou 5 anos em Portugal, que ainda foi tentando “uns negócios” e acabou nos táxis porque “assim, todos os dias tenho dinheiro para comer”; apanhei um técnico de pecuária que prefere a cidade, onde não há pecuária, e por isso foi para os táxis; apanhei outro rapazito novo que tinha um curso médio de informática, e que usava esses conhecimentos para a sua página da net: que era a pagina do táxi!

Portanto se uns tentam medidas para manter os seus quadros dentro do país, aqui parece que a luta ainda tem que ser maior, não só de os manter dentro do país, como ainda de os manter fora dos táxis!

Até outro dia,

Visto de Fronteira

Os vistos de fronteira para entrada em Moçambique podem ser pagos em Euros, Dólares ou Meticais, absolutamente indiferente a forma que se paga:

• Em euros: 25 euros

• Em dólares: 25 dólares (o que não chega portanto a 20 euros)

• Em meticais: 380 meticais (o que não chega sequer a 10 euros)

Portanto, é indiferente a forma que se queira pagar, aceitam as 3 moedas!

Até outro dia,

domingo, 16 de maio de 2010

E houve festa na terra do rei!

Segunda, 10 de Maio de 2010

SLB… SLB…SLB, SLB,SLB, Glorioso SLB, Glorioso SLB!!!! :)

Pois é, o campeão está de volta e como tal ontem foi dia de festa!!

Eu bem sabia que aqui em Moçambique também se festejavam as vitórias do Benfica, mas confesso que estava longe de perceber a dimensão da coisa!

Fomos ver o jogo a um parque de um clube desportivo que nos disseram que estaria mais calminho e que tinha um ecrã gigante (no Porto-Benfica tínhamos andado de bar em bar, que tudo estava cheio), e lá fomos nós! Chegando lá, ora portanto: ecrã gigante ao ar livre, mesas com toalhas do Benfica, CD do Benfica a entoar a alto e bom som e imensas pessoas para assistir ao jogo :) estava a festa montada!! Quando logo no inicio o Eusébio foi filmado houve gritos e aplausos, confesso que me arrepiei!

Sobre o jogo, foi o que todo viram!!:)

No fim do jogo, todos felizes e contentes, depois de saltos e efusivas cantorias lá no parque decidimos que nos íamos juntar às businadelas dos carros que pelas ruas faziam a festa, mas claro está que não pode ser tudo assim fácil e chegados ao carro (que era um jipe) ora bem, peneuzito furado! E a que se assistiu a seguir : 2 homens a suar em bica enquanto trocam o pneu e 3 mulheres a festejar efusivamente na estrada com todos carros que passavam!!eheheh :) (existem fotos a documentar este fantástico momento, mas estão num telelmovel e sem maneira de momento para se passar para o pc!)

Mas a festa de facto foi qualquer coisa: desde os carros xpto, de vidros fumados e senhores de muito papel, que ontem á noite abriam as janelas, saíram do seu aquário e com todos que se cruzaram festejaram efusivamente; às camionetas de caixa aberta a cair aos pedaços completamente apinhadas de pessoal que lá em cima gritava e cantava!! Não havia diferentes raças, não havia diferentes culturas, não havia diferentes classes sociais…havia BENFICA :)

Ontem houve festa na terra do rei, festa bonita, festa do povo :)

Até outro dia,

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Debate sobre Desenvolvimento

Olá,
As minhas colegas, ainda na primeira semana, foram tomar café, e dizem que não resistiram a me comprar isto! :)


Até outro dia,

terça-feira, 11 de maio de 2010

Teatro do Oprimido

Sabado, 07 de Maio, 2010

Ontem fui ver uma peça do teatro do oprimido ao centro cultural Brasil – Moçambique.

Já há algum tempo que conheço o teatro do oprimido, porque uma amiga do meu irmão fez uma reportagem há uns 2 ou 3 anos sobre isso, e na altura aquilo interessou-me bastante e andei a fazer alguma pesquisa sobre o assunto.

Entretanto, enquanto estava em Itoculo, houve uma vez em que passou lá um grupo do teatro do oprimido e…. mando-vos parte de um mail que escrevi na altura ao meu irmão:

“em relação ao teatro do oprimido, epá a ideia é muito boa, e em alguns sítios pode resultar, mas aqui (em Itoculo) é uma banhada por completo… não tens noção, apareceram uns tipos do teatro do oprimido, com ligação a Maputo, que vieram passar uma semana a Itoculo, para um projecto contra a sida, epá eles começavam com o teatro e depois pegavam nas pessoas e basicamente fizeram o espectáculo mais deplorantes que vi ate hoje… era basicamente um interrogatório a varias pessoas, que quase parecia interrogatório de policia, mas com perguntas do tipo, “quantas vezes tem sexo por dia?” (a pessoa respondia e toda a assistência ria imenso), “quantos parceiros tem?” (a pessoa respondia e toda a assistência ria imenso), “gosta mais com presservativo ou sem?” (a pessoa respondia e toda a assistência ria imenso)... enfim, não passou daqui... do piorio mesmo. A serio, muito mau mesmo!!”

Portanto fui para esta peça com bastante expectativa, porque de facto tinha referências muito boas, mas uma experiência muito má!!

As peças que fomos ver eram sobre o papel da mulher na sociedade, e foi muito, muito bom! Eram pequenas peças, que retratavam histórias comuns de acontecer aqui, em que a mulher era humilhada. No fim, o público era chamado a dar ideias sobre como resolver a história e, para tal, tinha que entrar na peça e voltar a recriar a peça, mas desta vez com a sua solução, depois havia sempre debate sobre se aquela solução resultava ou não. Desta forma, o público é confrontado com questões e é o próprio que as tem que resolver, pondo-se no papel de quem sofre! Juntando toda esta ideia ao jeito inato e fabuloso que os Moçambicanos têm para representar…epá fabuloso mesmo!!

Agora, voltando a Itoculo, havia uma diferença fundamental entre esta peça e a que eu vi lá: esta tinha uma “facilitadora”, que era quem dirigia todo o debate, com anos de experiência não só em teatro, como na parte das questões sociais e de género…

Estas peças eram o resultado de 1 semana de treino que um jovem de cada província de Moçambique teve, para agora poder voltar para a sua província e fazer lá o teatro do oprimido. Pode até acontecer que um ou outro sejam por natureza bons moderadores, mas na sua maioria, não será com uma semana que o conseguirão ser, além disso, no teatro foi claríssimo que muitos deles faziam na vida real o que ali apontavam como errado, muitas das soluções encontradas não eram de todo naturais para eles, e são eles que agora vão ser facilitadores noutros lados!

É importante, obviamente, que as coisas boas se espalhem, mas se não forem feitas como deve ser, acabam por deturpar completamente o principio inicial… de que vale se conseguir chegar com o teatro do oprimido a todo o Moçambique se ele não cumprir as suas funções fundamentais?

Portanto, conclusão: Viva o Teatro do Oprimido, mas vamos com calma!!! :)

Até outro dia,