Em Portugal dizem que a fuga de cérebros é para o estrangeiro, pois eu começo a ficar convencida que a fuga de cérebros por aqui é para os táxis!!
Aqui está uma “classe operária” que as minhas estadias por estas terras ainda não me tinham feito conhecer. E que agora bastante tenho conhecido. Nesta minha estadia por cá, ainda não matei a saudade de andar de chapa. Como normalmente tenho que andar de um lado para o outro, com reuniões aqui, coisas combinadas ali, e afins acolá, recorrer ao táxi (e ajudando também o facto de não ser eu que o pago) tem sido um grande solução. Estou portanto uma típica burguesinha, mas não é esse agora o tema da conversa!
Quando o trânsito aperta e o tempo dentro do táxi é mais longo muitas vezes começa também a conversa a fluir e…opa, não digo que seja a maioria, mas já por algumas vezes dei por mim a falar com pessoal ou com cursos superiores, ou com cursos técnicos…ora falando num país com falta de quadros, não deixa de ser estranho.
Apanhei um senhor que tinha tirado gestão e que estudou 5 anos em Portugal, que ainda foi tentando “uns negócios” e acabou nos táxis porque “assim, todos os dias tenho dinheiro para comer”; apanhei um técnico de pecuária que prefere a cidade, onde não há pecuária, e por isso foi para os táxis; apanhei outro rapazito novo que tinha um curso médio de informática, e que usava esses conhecimentos para a sua página da net: que era a pagina do táxi!
Portanto se uns tentam medidas para manter os seus quadros dentro do país, aqui parece que a luta ainda tem que ser maior, não só de os manter dentro do país, como ainda de os manter fora dos táxis!
Até outro dia,
segunda-feira, 17 de maio de 2010
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