E nós somos a Dina e o Zé Pedro, pais da Joana, que, em Agosto, tivemos a grande alegria e o privilégio de visitar a nossa filha e conhecer Moçambique.
Pela mão da nossa filha (cujo sorriso evidencia, em cada momento, a satisfação e a realização pessoal pelo trabalho que está a desenvolver) e de toda aquela equipa missionária, fomos sendo conduzidos a um mundo completamente desconhecido, a uma cultura que nos transcende e nos transforma, carregados que fomos da omnipresente Europa, "detentora" do desenvolvimento.
Lá, no Moçambique profundo, fomos descobrir um povo cujo futuro é o presente e onde o direito à saúde e à educação é uma miragem e os (quase) únicos artefactos são a catana e a sachola.
Um povo que não tem nada, mas onde nada parece faltar. Palmilham quilómetros, não há um animal de carga, não há um arado, não há um tractor. Contudo, transportam em si um sorriso calmo e a dignidade de uma cultura milenar embalada pela cadência morna da música e do omnipresente batuque.
As crianças são lindas, aparecem de todos os lados e rodeiam-nos instantaneamente, num sinal de boas vindas mesclado de curiosidade. Parecem figuras do "Admirável Mundo Novo" agora reescrito ao contrário.
Depois do primeiro impacto, também nós fomos despindo a roupagem ocidental, e fomos mergulhando no ritmo e na paisagem, mas, também, no sossego e desassossego de quem sabe que quase tudo falta e o muito que está por fazer em terras Moçambicanas: as missionárias e os missionários espiritanos em Itoculo e Nampula, e de tantas outras congregações (do Verbo Divino, Combonianos, Pilarinos, da Boa Nova,...) e comunidades (Netia, Monapo, Mueria, Ilha de Moçambique, Nacala, Pemba, Maputo, …).
Não há palavras para descrever o seu trabalho evangelizador, a sua entrega, a sua dedicação a um povo que é também o seu e a quem, aos poucos, o acesso de Moçambique à educação, à saúde e ao desenvolvimento minimamente sustentado tanto deve.
Da humildade e generosidade destes missionários, ficam-nos as palavras de despedida. Tão reconhecidos e admirados com o seu trabalho, despedimo-nos dizendo: "vamos publicitar o mais possível o vosso trabalho" e o Padre Damasceno respondeu: "não é preciso, basta que rezem por nós".
1 comentário:
Um grande abraço também aos pais da Joana, com a certeza de que a nossa família também escreve páginas fantásticas no livro da Missão, sempre que nos acompanha e apoia.
Parabéns pela coragem de partir ao encontro do povo com quem a Joana partilha a vida. Parabéns pelo modo límpido como olharam aquela terra e aquele povo.
Abraço aos pais e à filha
Tony
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