Quarta-feira, 6 de Agosto, 2008
Cinquenta anos são muita coisa, e foi isso que festejámos ontem aqui em Itoculo, 50 anos de vida consagrada da Irmã Alice.
Calhava numa terça-feira e então tínhamos falado com ela de na quarta-feira, como já é habitual jantarmos todos em casa das irmãs, aproveitarmos e festejarmos, e depois, mais tarde se faria uma festa maior, juntando os 50 anos dela, com os 35 anos da irmã Adelaide que serão no fim deste mês.
Mas, meio em segredo, achámos que seria pouco, e já que "50 anos só se fazem uma vez na vida", deveríamos marcar o dia de alguma forma mais especial!
Assim foi, eu tratei de organizar com os jovens a animação da celebração e uns cânticos de parabéns para depois da celebração (que na altura precisa não saíram, mas isso agora não interessa nada), a irmã Joyce organizou uns bolinhos e sumos para distribuir pela comunidade, todos deram o seu contributo (até a minha mamã, que mesmo só de passagem foi a nossa chefe de cozinha e coordenou a preparação de um jantar à maneira) e na celebração a comunidade compareceu em peso.
Assim, depois de uma celebração bastante animada e bonita (embora um pouco desafinada, que eu e os meus jovens ainda não atinámos no tom :P), onde a irmã fez a renovação dos seus votos, tivemos um animado encontro com a comunidade, com as tradicionais danças e cânticos, com bolinhos e suminho, onde todos dançamos e saltamos.
Finda a festa com a comunidade fomos para a nossa festa em comunidade missionária, com um jantar bem á maneira, com tudo o que alguém que faz 50 anos de vida consagrada tem direito!
Penso que a irmã Alice, que desconfiou de qualquer coisa no próprio dia mas não sabia de nada, ficou muito feliz, afinal após 50 anos de entrega a Deus e aos outros sabe sempre bem partilhar esta festa com toda a comunidade de uma forma simples, mas especial.
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Quinta-feira, 15 de Agosto, 2008
Em Nampula, existe um mosteiro de uma ordem de irmãs contemplativas. É um local lindíssimo, dominado por uma pequena montanha de onde vai escorrendo um rio. Por todo o lado o silêncio impera e deixa a natureza tomar conta dos nossos sentidos. Mas, de vez em quando, este silêncio é quebrado… são os risos das crianças que se vão ouvindo aqui e ali… como é bom o riso das crianças!
As crianças são na maioria órfãs, ou abandonadas pelos pais, devem ser umas 30, foram ali acolhidas e ali vão crescendo com sorrisos bonitos e risos contagiantes, que escondem passados muitas vezes não tão bonitos nem tão saudáveis.
Uma das meninas que lá está chama-se Domingas, é da paróquia de Itoculo, da região de Chihire, já não me lembro muito bem da história, mas penso que a mãe morreu de tuberculose, o pai esteve muito mal e a menina ia morrendo também, quando os padres a deixaram no mosteiro nunca acreditaram que ela ia sobreviver. Mas ela sobreviveu e está bem viva, embora mantenha alguns problemas físicos, já lá vão alguns anos, e está como era super saudável.
No mês passado a Domingas estava a brincar debaixo de uma árvore, de repente viu uma luz forte por cima da árvore, olhou melhor, era uma senhora, chamou logo os amigos que brincavam mais próximo, apareceram mais 6 crianças, viram também, a senhora pareceu-lhes familiar, era parecida com a que tinham visto na capela, era Maria?
Olharam uns para os outros, sem saber bem o que fazer: "vamos ajoelhar?"; "As irmãs costumam ajoelhar!"; "Vamos ajoelhar! Vamos rezar!"; "Ave Maria, Santa Maria, Ave Maria, Santa Maria" não era a oração completa, mas eram tudo quanto sabiam, a Senhora sorriu…
Uma das crianças, o Samuel, tem apenas um ano e meio, apenas apontava e sorria.
"Vamos cantar uma canção!", decidiu uma das meninas. Começaram a cantar uma música a Maria, na música uma parte da letra pede a Maria para levar os seus pedidos a Jesus, nesta altura um bebé apareceu nos braços da Senhora, também ele sorriu…
Entretanto chegou a mamã Júlia (uma senhora cabo-verdiana que dedica a vida a estas crianças, e que à falta da mãe verdadeira é uma autêntica mãe para cada uma delas), e as crianças contaram-lhe o que acontecera, ela foi logo contar à superiora das irmãs que com paciência tudo ouviu.
No dia seguinte a superiora chamou as crianças uma a uma, fez perguntas, insistiu, baralhou… nenhuma criança se atrapalhou, nenhuma criança mudou seja o que fosse da história, nenhuma criança se contradisse, nenhuma criança se enganou…
Maria estava toda de Branco, mas a luz que irradiava era de muitas cores, assim é o coração das crianças, branco de pureza, mas irradia todas as cores da alegria.
Até outro dia!
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