Sexta-feira, 13 de Junho, 2008
Ontem e hoje tive encontros nas regiões (ontem em Djipwi e hoje em Chihire) de comunicação social [não sei se já alguma vez expliquei, se já passem à frente o parênteses. Então existe uma revista cristã, chamada Vida Nova, que tem tiragem a nível nacional e que tem secções sobre noticias internacionais, noticias do país, espaços de opinião e é usada um pouco como uma revista de informação mas politicamente imparcial. Existe ainda um boletim da diocese, com as noticias locais. O objectivo deste ministério é uma vez por mês fazer encontros com uma pessoa por comunidade para lhes explicar as várias notícias, para que depois eles as possam passar à comunidade antes da celebração. Assim é uma forma de tentar dar alguma informação à população que não sabe ler, nem tão pouco o português], e resolvi aproveitar a viagem para na parte da tarde fazer algumas visitas a escolas onde ainda não tinha conseguido visitar.
Assim, quinta-feira fui até comunidade de S. Matias, que era a única escola que tinha 3 professores e tinha alunos da 1ª à 3ª classe, e inclusive, um dos seus professores era o responsável da região por todas as escolas comunitárias.
Cheguei à comunidade, por um caminho completamente de cabras, onde o carro para passar tem que destruir um ou outro pé de mandioca, lá fui até á escola, e nada de alunos ou de professores, procurei por onde estavam os professores ao que me responderam que eles estariam em casa!! Ninguém falava português por isso o dialogo não estava a ser lá muito fluente, e lá consegui descobrir uns alunos e pedi se podiam ir buscar os cadernos deles a casa. Os cadernos deles tinham nada mais, nada menos do que aulas apenas em Fevereiro (que foi o primeiro mês de aulas, e aparentemente para eles também o último).
Isto ainda é mais grave quando se sabe que estes professores até têm ido às formações que são dadas na região uma vez por mês, e disseram sempre que estava tudo bem, e que as aulas corriam muito bem….
Já hoje, depois da formação em Chihire, passei na comunidade de Namaca, que fica bastante perto de Itoculo, onde também existe uma escola. Chegando lá não vi ninguém, mas como ainda era cedo resolvi esperar um pouco para ver se alguém aparecia. Como ninguém aparecia, resolvi perguntar numa casa lá ao lado, a resposta foi que o professor não estava a dar aulas, e que todos os alunos estavam a ir estudar à escola de Itoculo. Este ainda é mais grave porque o professor tinha ido na semana antes a Itoculo para me dar a estatística do número de alunos e aproveitamento dos mesmos!
Isto é mesmo para uma pessoa perder por completo a confiança…
Enfim, duas escolas mortas este ano, vamos ver se não tenho que matar muitas mais!
2 comentários:
Eu sei bem que não tem piada nenhuma, mas não consigo deixar de rir à grande só de imaginar a tua cara!!!
Ok, já parei... vamos ao sério: para resolveres essas situações vais ter de puxar muito pela cabeça, porque não adiantará dar valentes responsos aos responsáveis. Tenta perceber por que razão essas coisas são "tão naturais como a sede". Talvez passe por aí, mas é só uma achega :-)
Boa sorte!
Olá fofinha
O teu texto fez-me lembrar uma reportagem que vi de uma portuguesa de 29 anos que vive no Dubai e que está a fazer um trabalho extraordinário no Bangladesh. É uma espécie de Madre Teresa de Calcutá, embora recuse esta semelhança porque não vive no meio da pobreza, e faz questão de manter uma vida privada de acordo com a sua idade.
Na reportagem mostrava o desalento e a irritação que sentia com a população local precisamente porque não faziam coisas tão simples em termos de higiene e porque não deixavam ir as filhas à escola ( fundada por ela) porque não servia para nada.
Há que não desanimar, mas que dá para ficar irritada lá isso dá.
beijinhos ,mamã
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