Segunda-feira, 11 de Fevereiro
No dia em que faz precisamente um mês que cheguei a terras moçambicanas, eis que dei mais um passo na minha inculturação, já entrei num mercado e comprei a minha primeira capulana (pano africano, que todas as mulheres usam).
Pois é, a minha manhã foi passada entre arrumações e limpezas da casa e preparação de aulas, quando à hora de almoço fui desafiada a ir até Monapo, fazer umas compras que eram precisas e assim se deu inicio à minha primeira incursão dentro de um mercado.
Gostava de ter o dom da escrita para vos poder transportar comigo até lá, porque de facto é outro mundo…
Entre lama e água amontoam-se barracas e mais barracas, numa imensidão de ruas estreitas e labirínticas. Tudo se vende e tudo se compra, desde galinhas em capoeiras, ao sal em sacos de plástico, à farinha e ao feijão em montes por cima das bancas, passando pelas barracas de ferragens, de alguidares, de material escolar, de roupa em segunda mão, de capulanas, de chinelos, não esquecendo as bancas com peixe seco, de peixe fresco (podre na maioria), com legumes, das especiarias amontoadas pelo chão por aqui e por acolá, o óleo á venda em garrafas de Coca-Cola ou em frascos tipo soro. Existe ainda lugar para uma mesa de matraquilhos para os últimos êxitos da musica…
Tudo isto coexiste num mesmo espaço, numa mesma poça de água, numa mesma multidão de gente que se aperta nas ruas estreitas.
Confesso que ao inicio é um pouco assustador, pois uma vez lá dentro é difícil voltar a descobrir o sitio de saída, mas depois do primeiro susto, torna-se fantástica a imensidão de cores, de cheiros e de gentes.
Foi nesta imensidão que resolvi comprar a minha primeira capulana, no entanto penso que a vou usar à maneira europeia (tipo saía de praia) é que, ao contrário do que eu pensava aqui as mulheres usam a capulana meramente por uma razão estética (a que usam como saia, porque usam outras para segurara os bebes e afins, essas tem mais funções além da estética) já que têm sempre roupa por baixo da capulana, a tradição é usar a capulana por cima da roupa, presa á volta da cintura como se prende uma toalha ou assim, de modo que tem que se estar constantemente a colocar de novo, porque esta sempre a cair.
A verdade é que a capulana é mesmo numa imagem de marca dos grupos de mulheres, é lindíssimo olhar para os grupos de mulheres, principalmente nos dias de festas, em que metem todas os lenços da cabeça a condizer com as capulanas, todas cheias de cores, fazem um quadro mesmo bonito!
Só no fim do dia me apercebi que tinha passado um mês desde que cheguei, penso que foi uma boa forma de festejar este primeiro mês.
Até outro dia!
4 comentários:
Oi filhota!
entre garrafas e garrafinhas, lama e poças de água e essa proliferação de cor, já era tempo de enviares umas fotografias, é que esta descrição é digna de pintor, e já que não há pintor...
Para a minha africaninha, já emaranhado nos tons fortes de África um grande beijinho
Mamã
Gosto muito de ir aos mercados dos sítios que visito. Acho que lá encontramos muitas das características de um povo...
Com diz a tua mãe, já fazem falta umas fotozitas.
Jokas
Uau :) um post super feliz :D Gostei. Mulher, arrisca, "incultura-te" e compra capulanas tb para as amigas queridas que ficaram cá ;) estou a brincar.
Beijinho grande, boas aulinhas e vê lá se começas a decorar o nome das criancinhas (aposto que mesmo com livro de ponto n vais conseguir decorar nada, degraçada :D)
Inês Maravilhosa
Oi Joana. beijos.
Pois é mesmo assim por causa da falta da ASAE. eles aí tinham por onde lhe pegar e escusavam de se agarrar aos chinelos ou à toca noas nossos restaurantes!!!!
A vida em África é diferente, tem mais cor, ritmo, vida, bulício. É um desafio enorme entrar nessa onda e, a partir de dentro, ajudar a mudar alguma coisa que esteja menos bem. Faz bem aos olhos toda essa cor e ao coração a relação que se establece com as pessoas (mesmo os miúdos que não pronunciam o 'j', mas nos dizem que é a hora de ir á comunhão!).
Beijos. Tony
Enviar um comentário