quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Norte de uma ponta à outra

Junho/Julho, 2010
















Até outro dia,

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Itoculo

A professora voltou? Vai voltar para aqui? Vai ficar connosco?

Não, não voltei, não vou ficar, vim visita só! Vim visita só, mas perdi-me a admirar cada espaço e cada momento. Vim visita só, mas desejei voltar, daquele voltar mesmo a sério, desejei ficar. Vim visita só, mas orgulhei-me a ver como os meus miúdos cresceram e são agora homens e mulheres feitos. Vim visita só, mas o só foi tão pouco, tão pouco, que afinal percebi que não voltei. Vim visita só, e percebi que tenho que voltar, voltar mais a sério, voltar com tempo, voltar com espaço, voltar e simplesmente ficar...talvez um dia....

Até outro dia,

Rumo ao norte

Sábado, 3 de Julho, 2010
Olá, olá!!

Depois de um total de quase dois meses em Moçambique, mas quase todos passados no sul, eis que finalmente rumei ao Norte e ainda por cima para fazer o trabalho que mais gosto “passear pelo mato”!! Pronto, ok que era trabalho, tinha obrigações e horários, pontos para analisar, prospecções a ser feitas...mas bolas, percorrer o norte do país de uma lado ao outro no meio daquelas montanhas deslumbrantes...epá, que todos os trabalhos fossem assim!! :)


E depois ficam sempre os pequenos momentos e as pequenas peripécias para contar e as fotos para mostrar:

• Em Cuamba reencontrei a Joana Pedro (a que nasceu depois de mim!!) e foi lá, com ela, que assisti ao Portugal-Espanha num café em que todos os outros torciam por Portugal

• Numa pensão em Ribaue perguntamos se havia água quente, ao que ouvimos a resposta “sim menina, de balde, mas hoje não temos que a lenha acabou”

• No ultimo dia acabar o trabalho na esplanada de Nacala com uma vista simplesmente maravilhosa e recordar o local onde em algumas tardes de domingo ou segunda vinha respirar um pouco daquele mar fabuloso


Epá, venham mais trabalhos destes, que o corpo ressente um pouco, mas o espirito agradece, e muito! :)

Até outro dia

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mundial na África do Sul

Domingo, 27 de Junho, 2010

Estava eu um pouco frustrada por ir à África do Sul durante o Mundial sem poder minimamente participar nele. Ainda por cima depois de ter feito o voo Lisboa Joanesburgo num avião cheio de espanhóis que vinham ver o Portugal-Espanha, o que ainda ajudou à frustração, mas finalmente, já no fim da minha estadia na África do Sul, lá consegui sentir um cheirinho do Mundial.

Vou para a apanhar o voo em Joanesburgo para o Malawi e depois do check in entro na parte dos passageiros, o aeroporto é gigante, super organizado, tudo limpinho, bonitinho, organizadinho e não muita gente e lá vou seguindo até à zona da minha sala de embarque. Tenho que descer para lá chegar e começo a notar que alguma coisa está começa a ficar diferente… há pois é, a zona do aeroporto onde fica a minha porta de embarque é a zona dos voos africanos e…estamos no meio do Mundial e o Gana ganhou ontem aos EUA!!!!

Dezenas de adeptos do Gana, vestidos a rigor, entoam cânticos de claques, a maioria dos outros africanos juntam-se à festa no orgulho de apoiarem a única selecção africana que ainda está em jogo. A um canto T-shirts da Argélia, Madagáscar e Gana trocam passes entre si, noutro lado um adepto do Brasil exibe os seus dotes de malabarismo incentivado por um grupo de sul-africanos e até de adeptos da Itália.

Soam as vuvuzelas, surgem sorrisos, misturam-se as culturas…. Aioba : bem vindos ao mundial da África do Sul!!!

Até outro dia,

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Bush Fire

Olá, olá!

Mal cheguei a Maputo perguntaram-me se estaria por cá no ultimo fim-de-semana de Maio porque ia haver um festival de música na Suazilândia, eu sempre a perceber “da” em vez de “na” disse que se cá estivesse sem dúvida que iria ao festival, mas achando sempre que o festival era um festival de músicas da swazilandia em Maputo.

Ultimato na semana antes do festival: “Joana , sempre queres vir, somos 9, por isso temos um lugar no carro pr ti” Lugar? Carro? Para ir para Maputo??!!... Não! Bush Fire, o fantástico festival de música do Mundo na Suazilândia: Ali, a 200 Km de Maputo, país pequenino, governado por um rei, todo montanhoso e onde o frio aperta é palco de um festival que no site definem como o único evento do estilo em todo o continente africano!! Ora pois bem, já disse que ia não é? Suazilândia e Bushfire aqui vou eu!!

Assim foi que no último fim-de-semana da minha estadia por Maputo fui conhecer este reino! Tirando a parte do frio, que é sempre difícil de associar a África e que por isso se torna mais difícil de suportar, vale a pena perdermo-nos nestas montanhas, onde as vacas aparecem em todas as paisagens. Dizem que é a suíça de África, bom…é um pouquinho diferente, mas de facto não deixa de ser um país lindíssimo, e comi dos melhores bifes que já comi na vida! Além disso, a mesma sensação que tive ao passar a fronteira de Moçambique para o Malawi: que organização, que cidades e vilas tão organizadas e limpas! Engraçado como países tão próximos, pelos seus caminhos históricos, partilham organizações urbanas tão diferentes.


E o festival? Fiquei fã, só lá estivemos uma noite, mas adorei o espírito! Musica com tons africanos, no publico uma mistura de todas as cores, que cantava e dançava…não sei bem explicar, mas de facto para quem já adora o espírito de festivais, estar num festival no “calor” africano (no caso estava frio, mas a ideia é a mesma :P) é qualquer coisa!

A repetir se possível!

Até outro dia!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Olá, olá!!


Parece que aos poucos volto ao mesmo atraso que tinha anteriormente nos posts, e portanto conto agora o meu fim de semana de há já 15 dias!!

Segunda-feira, 17 de Maio, 2010

Este fim de semana a minha colega foi até ao Kruger Park, mas eu, quer porque já tinha ido (embora quando fui, fui só um dia, e ela desta vez foi o fim de semana, o que permite fazer o safari nocturno que deve bem valer a pena.), quer porque tinha um trabalho da faculdade para fazer, acabei por ficar em Maputo… bom, mas de trabalho acabei por fazer muito pouco.

No sábado de manhã dei por mim a ser um “típica moçambicana de Maputo”! Como tinha que ir fazer a renovação do visto um destes dias, aproveitei para ir já desta vez com uma amiga até à Africa do sul. Assim foi que fiz o passeio típico de sábado por aqui: Ir até Nelsprit, encher o carro de compras e voltar para Maputo!! Fabuloso!! Depois disto, acho que já posso me mudar para cá, que já estou a entrar no espírito :P!!










Já no domingo fui fazer um pic-nic a uma praia que fica do outro lado da baía de Maputo – Catembe. Embora a praia em si não seja propriamente fabulosa (até porque é bastante suja), um picnic na areia com a cidade de Maputo ao fundo, com vacas a meio a querem-se juntar ao picnic, com a chuva que teima e nos obriga a refugiar num café, e com direito a um pezinho de dança e tudo: vale a pena!!!


Até outro dia,

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Grândola Vila Morena

Boa noite,

Ontem, estava eu a ter uma conversa bastante interessante com um senhor moçambicano, quando às tantas vem ao assunto o Alentejo, e por algum motivo surge a questão de ele ter um problema com Grândola, porque nunca conseguiu ultrapassar o significado da canção…. Eu fiquei a achar bem, o que se passa aqui? Como assim não conseguir ultrapassar o significado da canção? Qual significado é que há a ultrapassar?? Já estava eu na fase de achar: “que desilusão!”, quando ele me contou a forma como a Grandola Vila Morena entra na história de Moçambique no dia 7 de Setembro de 1974.

Para situar transcrevo um texto que encontrei de William Minter no livro "Os Contras do Apartheid":

"7 de Setembro de 1974: em Moçambique colonos brancos exaltados ocupam a estação nacional de rádio protestando contra o facto de Portugal ter concordado com a independência, decorridos dez anos de guerra. Ao grupo FICO e a ex-comandos auto-apelidados de "Dragões da Morte" juntam-se uma mão-cheia de negros opostos à Frelimo, que lutara pela libertação do país. Os manifestantes afirmam querer também um Moçambique independente, só que sem ser governado pela Frelimo. Mas a bandeira que empunham é a de Portugal.

Os rebeldes libertam membros da antiga polícia política que entretanto haviam sido presos. Vigilantes brancos circulam pelos subúrbios africanos, disparando contra civis negros. Em algumas zonas os negros retaliam com paus e catanas. Colonos que haviam partido para a Rodésia e para a África do Sul começam a regressar a fim de apoiar a rebelião. Segundo números oficiais, nos dias que se seguiram morreram catorze brancos e setenta e sete negros. Segundo rumores, houve centenas ou, mesmo, mais de um milhar de mortos."

Nesta mesma revolução, os brancos de direita que tomaram o poder, pelas ruas foram entoando a “Grândola Vila Morena”, enfatizando a frase “o povo é quem mais ordena” e equiparando o seu acto ao 25 de Abril, dizendo que eles, “o povo”, estavam a tomar conta do país.

Engraçado também foi a busca que fiz na internet depois de me contarem esta historia…quase nada existe e o que existe, existe em várias versões, algumas completamente diferentes das outras.

Em Itoculo, meia isolada e no mato, sentia as feridas que a guerra deixava ainda hoje nas pessoas, mas aqui, em Maputo, percebo que as feridas deste povo vão muito mais longe, percebo que são um povo onde muita história está ainda por contar e esclarecer e que, por isso mesmo, o processo de reconciliação com a história está ainda longe de ser feito.

Até outro dia,