Parece que os mercados do Ocidente se agitam face à crise alimentar que se adivinha, dizem os entendidos que será a maior crise alimentar dos últimos 30 anos, espera-se fome, espera-se que os países da África subsariana sejam aqueles que vão sofrer mais…
Enfim, todos esses avisos seriam suficientes para assusta, e de facto nos mercados os preços dos bens alimentares sobem de forma alarmante, uma saca de arroz, por exemplo, subiu numa semana de 400 meticais para 500 meticais. A única excepção foi o pão, que estranhamente desceu de preço a semana passada.
Agora a tudo isto juntarmos o facto de nesta zona a chuva ter acabado bem mais cedo que o normal, o que levou a que o milho tenha secado todo, só quem plantou no inicio das chuvas tem alguma coisa de jeito, feijão ninguém tem, algodão quase não deu nada, gergelim (que o ano passado foi uma grande fonte de rendimento) não deu nada e mesmo a mandioca não está para produzir muito.
Tendo em conta que a base da alimentação aqui é a farinha de milho e o feijão, e que a venda destes mais o algodão e gergelim são as únicas fontes de rendimento, porque empregos são praticamente nulos os que existem, já se está a ver no que isto vai dar!
Espera-se um ano de fome…
Assusta esta previsão, assusta a impotência face á situação… E o que é mais impressionante é a falta de capacidade que este povo tem de se precaver, de tomar atitudes a pensar no futuro. Estamos agora em época de venda de milho, fartamo-nos de dizer às pessoas para armazenarem algum milho porque os preços vão disparar e depois não vão ter meios de o comprar, e todos nos dizem "não temos onde o guardar", "precisamos de dinheiro agora", então vendem praticamente todo o que têm por qualquer coisa como 3 meticais o quilo, sendo que a previsão do preço do quilo na altura me que vão precisar de comprar para sementeira, será no mínimo 25 meticais por quilo!
Vivem o dia-a-dia, não pensam no amanha, têm medo de não aproveitar no momento e morrer sem usufruir do que têm, e a ideia de herança, a ideia de que o que tiver fica para os meus filhos de todo não existe!
Bom, vamos a ver o que o futuro nos reserva, as irmãs têm um projecto de apoio a crianças subnutridas que já tem financiamento, falta só a aprovação da congregação para se andar com ele para a frente, vamos ver se ainda chega a tempo de fazer face á crise que se adivinha.
Até outro dia!