Sábado, 11 de Setembro, 2010
Ontem fui ao teatro, ver a reposição de uma peça do grupo Luarte, que faz 10 anos de existência (http://www.teatroluarte.blogspot.com/).
A peça chamava-se JOANA MOÇAMBIQUE, foi apresentada em cena pela primeira vez no ano de 2005, e é considerada uma das peças mais polémicas que o grupo já fez.
A personagem Joana personificava Moçambique, um Moçambique caótico; um Moçambique doente; um Moçambique decadente; um Moçambique que vive de se prostituir aos fundos dos estrangeiros; um Moçambique que vive mais preocupado em agradar a quem lhe pode dar dinheiro, do que com quem é realmente moçambicano; um Moçambique que cada dia perde mais a sua reputação e dignidade, em troca de um estilo de um nível de vida que não é o seu.
Por outro lado, se tomarmos a Joana efectivamente como uma pessoa, então aquela era a caricatura perfeita das centenas de moçambicanos e moçambicanas que se passeiam pelos bares mais finos de Maputo, onde os estrangeiros se passeiam também à sua procura. Poderia se considerar uma troca leal e justa, uns procuram prazer, outros procuram dinheiro, todos conseguem o que procuram, todos ganham…. Mas a verdade não é bem essa, os que procuram o prazer, ficam aqui 2 dias, 2 semanas, 2 meses, 2 anos e depois voltam para o seu mundo, os que procuram dinheiro estão aqui e por aqui ficarão, e enquanto houver quem pague continuaram a vender o seu corpo, até ao dia em que a idade ou a doença não permitam mais, e nessa altura já pouco deles restará…
Um amigo meu, moçambicano, muitas vezes diz que a única maneira de Moçambique se desenvolver será quando recuperar a sua dignidade, aprendendo a “fechar as pernas”: no acto final da peça, Joana Moçambique aparece de pernas abertas, escancaradas, e assim morre corroída pelas doenças que se apoderam do seu corpo.
Até outro dia,
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